A tarde havia acabado e as primeiras estrelas brilhavam no
firmamento. Eu esperava ansioso pela hora de dormir, na
expectativa de que voltasse a sair do corpo.
Chegada a hora, deitei-me e esperei que algo
acontecesse. Em poucos minutos comecei a sentir coisas
estranhas. No início tive a sensação
de estar deitado na areia da praia, enquanto ondas de um líquido
energético banhavam minhas pernas até envolverem
todo o meu corpo.
Surgiu um som dentro da minha cabeça.
Parecia uma orquestra de cigarras cantando. O som foi ficando
cada vez mais alto e o ritmo acelerou ainda mais.
Meu corpo começou a vibrar até que flutuei para
fora do corpo. Repetindo a experiência de ver
meu corpo deitado logo abaixo de mim, pensei: "A vida
esconde tantos mistérios que só o tempo e acontecimentos
fantásticos podem revelar."
Jamais, em minha curta vida, sequer
imaginei que existissem outros mundos ou universos diferentes
daquele em que eu vivia. No entanto, encontrava-me diante
de um mundo desconhecido, pronto a ser desbravado.
Passei a noite inteira traçando planos,
a fim de estudar o mundo que acabara de descobrir.
O dia estava surgindo nos primeiros raios
do nascer do sol e aproximava-se a hora de voltar para o corpo.
Sentado no sofá, pensava como era interessante
o fato de que os objetos físicos pudessem ser atravessados.
Entretanto, se desejasse, faria com que eles se tornassem impenetráveis,
caso contrário eu não poderia estar sentado neste
sofá, ou até mesmo afundaria chão adentro.
Eram realmente muitas coisas a aprender nesse
novo mundo.
De repente, o inesperado: acordei.
Levantei rapidamente da cama, recapitulei
as coisas ocorridas quando estava fora do corpo. Sabia
que minha vida mudaria muito se tudo isso continuasse a acontecer.
No trabalho, durante todo o dia, fiquei tentando
entender o porquê daquilo estar acontecendo comigo, mas
não encontrava nenhuma resposta.
Novamente chegara a hora de dormir.
Fui visitado pelo entorpecimento, que arrebatou-me para fora
do corpo.
Uma maravilhosa sensação de
liberdade e leveza tomou conta de mim. Queria, desta vez,
sair de casa e ver como seria o mundo lá fora.
Fiquei próximo à parede, preparando-me para atravessá-la.
Devagar, fui enfiando minha cabeça
na parede. Vi o reboco, o tijolo, outra vez o reboco, até
que avistei a paisagem fora da casa, e atravessei totalmente
a parede.
Lá fora estava muito escuro, num breu
quase total. Isto chamou-me a atenção.
Pensei: "Não sei como, mas consigo sentir que
corro perigo aqui. Apesar desta escuridão terrível,
tenho que continuar a excursão."
Fui até o portão e fiquei a
observar os seres que andavam pela rua. Notei que a maioria
deles tinha parte do corpo com forma de animal.
Estando na rua, fui inesperadamente abraçado
por uma mulher muito bonita, que estava totalmente despida.
Quando dei por mim, estava todo amarrado,
como se estivesse num casulo de cordas. A mulher
ficou na minha frente e começou a transfigurar-se, tomando
uma forma animalesca.
De repente, estava cercado por seres trevosos,
que sugaram minhas energias vitais, machucando-me muito.
Entrei em pânico e, após me debater
no chão, consegui soltar as cordas que me prendiam.
Instantaneamente voltei ao corpo físico.
Acordei com medo e muito assustado.
Apesar de ainda ser noite, não quis voltar a dormir.
Fiquei sentado, ou até mesmo andando, com receio de pegar
no sono e sair do corpo outra vez.
O sol estava nascendo e o meu semblante denunciava
a noite perturbada que eu havia passado. Durante o dia
tive várias sensações estranhas. Fiquei,
de certa forma, traumatizado com o ocorrido.
A próxima noite estava por vir.
O medo tomou conta de mim. Pensei: "Não
posso dormir, senão uma surra me espera lá fora
do corpo."
Com muita dificuldade, fiquei acordado a noite
inteira.
Após uma noite e meia sem dormir,
via-me inseguro se conseguiria passar outras tantas horas sem
cair no sono.
Sem que fosse do meu desejo, fui envolvido
pelo entorpecimento que veio ejetar-me para fora do corpo.
Ao sair, fui recepcionado pelos mesmos seres
que outrora me machucaram.
Durante vários dias, bastava que eu
saísse do corpo para ser agredido e energeticamente sugado
por entidades negativas.
Fui ficando doente e anêmico, até
que um dia, farto de tanto ser atacado, resolvi mudar a situação.
Primeiramente, comecei a observar todos os
meus pensamentos, sentimentos, atos e palavras. Estudei
cada ação minha, chegando, enfim, a uma conclusão.
O motivo pelo qual eu estava sempre sendo
atacado era o desequilíbrio interior.
Seria necessário que eu começasse
um trabalho radical de educação das minhas emoções
e dos instintos animalizados para, com isso, poder sair do corpo
sem ser molestado.
Durante os dias que se seguiram, passei a
realizar tal trabalho. Percebi que não bastava
apenas reprimir minhas emoções. Precisava
educá-las, substituindo comportamentos destrutivos por
positivos.
Em dois meses havia conseguido, com meu novo
comportamento, a libertação dos ataques trevosos.
A partir daí, sempre que saía do corpo físico,
ia para dimensões mais sutis. Contudo, ainda
não sabia o que fazer com esta minha capacidade.
Certo dia conversava com um amigo e, distraído,
disse a ele que conseguia sair do corpo e ir aonde quisesse.
Após algumas gargalhadas, ele olhou-me e disse:
- Você está vendo muita
televisão!
Com a expressão séria e ar solene,
fixando-me em seus olhos, disse:
- Você que é meu amigo
e me conhece, não acredita em mim. Imagine o que
dirão aqueles que não me conhecem!
- Dirão que você está
com um parafuso a menos na cabeça! - retrucou.
Desafiando-o, perguntei:
- E se eu der uma prova do que falo,
você acreditaria em mim?
Ele concordou, mas quis saber como eu provaria
que realmente saía do corpo.
- Posso hoje, durante a noite, visitar
a sua casa e observar tudo que você fizer, para depois
confirmarmos.
Com a aprovação dele, combinamos
a hora exata para a "visita".
Quando chegou a noite, eu saí do corpo
minutos antes do horário marcado. Fui à casa
do meu amigo e, chegando lá, percebi que ele não
estava. Fiquei em seu quarto, esperando que ele chegasse.
Ouvi barulhos de passos e a porta se abriu.
Era o próprio, entrando no quarto e fazendo palhaçadas:
- Aldomon-Fantasma! Você está
aí? Dê-me um sinal! - falou com zombaria.
Pensei comigo mesmo: "Se eu pudesse,
te daria um susto inesquecível!"
Fixando uma folha de papel à parede
com fita adesiva, ele escreveu algumas palavras e disse:
- Aldomon, se amanhã você
falar as palavras que estão escritas aqui, eu acreditarei
que você, de fato, sai do corpo.
No dia seguinte, eu o encontrei. As
primeiras palavras que pronunciei foram as escritas por ele naquele
papel.
Meu amigo ficou chocado e prometeu ajudar-me
a descobrir coisas sobre saídas do corpo.
O tempo passou e senti uma misteriosa vontade
de mudar para Brasília, o que veio acontecer em alguns
dias.
Já em Brasília, através
de uma apostila que me foi fornecida por um amigo, pude conhecer
melhor a ciência que estuda a saída do corpo.
Li atentamente seu conteúdo, até encontrar a parte
em que constava o nome do representante da instituição
que publicara a apostila.
Durante algum tempo, mantive inúmeros
contatos com o professor, o qual me ensinou o que fazer com a
saída do corpo (também chamada de projeção
astral).
Certa noite, após deixar meu corpo
físico, escutei um barulho incomum que parecia vir do
céu. Luzes douradas entravam pela janela e
me ofuscavam a visão.
Não senti medo em saber de onde vinham
as luzes e o barulho pois, no meu íntimo, tinha a sensação
de já ter vivido muitos encontros, com aquilo que parecia
ser uma nave espacial. Tal sensação passava-me
imperturbável segurança.
Um círculo dourado começou a
brilhar no teto da casa, até que por ele desceu um raio
cilíndrico de energia dourada. De dentro deste cilindro,
saíram dois seres vestidos em macacões prateados.
Suas cabeças estavam cobertas por capuzes da mesma cor,
os quais tinham visores escuros na altura dos olhos.
Ambos retiraram seus capuzes. Eram uma
mulher e um homem, que transpareciam uma altíssima evolução.
Seus traços eram perfeitos. Cabelos
dourados como ouro e olhos de um azul celeste resplandecente.
A mulher veio até mim e falou:
- Aldomon, já chegou o tempo
de despertar a memória de sua consciência adormecida.
Perguntei:
- Quem são vocês?
Eu não estou entendendo o que querem dizer.
Então veio a explicação:
- Fazemos parte de um comando extraterrestre,
do qual você também faz parte. Mas, infelizmente,
ao nascer em um corpo da Terra, você ficou temporariamente
com amnésia interdimensional.
Continuei ouvindo atentamente:
- Seu despertar é exatamente
recobrar parte da memória que possuía antes de
nascer aqui neste planeta. Você tem uma missão
a cumprir no plano físico e, para isso, sua preparação
começa agora. A cada noite em que você
se projetar, será submetido a um tratamento intensivo.
Indaguei a respeito do treinamento, e me disseram
que seria de tantas maneiras, que eu ainda não conseguiria
compreender suas explicações.
A mulher tirou do bolso de seu macacão
um pequeno aparelho, parecido com um relógio de pulso
sendo que, no lugar dos ponteiros, havia apenas um botão.
Ela explicou-me que aquele aparelho estava
ligado a uma nave, que enviaria energia quando ele fosse acionado.
Pediu que eu estendesse o braço para adaptá-lo
ao meu pulso.
Intuitivamente, senti que poderia confiar
neles. Era como se já os conhecesse há bastante
tempo.
Após colocar o aparelho, eles
se despediram e desapareceram junto com o raio de energia dourada.
Voltei para o corpo físico. Ainda
era madrugada e, antes que voltasse a pegar no sono, pensei por
alguns instantes no aparelho que acabara de receber.
O treinamento fora do corpo tornava-se a cada
dia mais intenso, através de vários instrutores
astrais.
Em uma noite aprendia defesa e ataque energético;
na noite seguinte aprendia a fazer mudanças dimensionais.
As semanas foram passando, até que
comecei, efetivamente, a trabalhar fora do físico.
Em uma das minhas projeções
astrais, andava por uma rua da quinta dimensão quando,
sem que eu esperasse, escutei uma voz metálica ao meu
ouvido:
- Aldomon, precisamos de você.
Aperte o botão do aparelho que está em seu pulso
para que o sistema de combate seja acionado.
Segui as instruções recebidas,
e vi minhas mãos começando a brilhar. Um
reflexo fez com que, automaticamente, eu colocasse as mãos
em volta da cabeça.
Ao fazer este movimento, dois raios elétricos
saíram das minhas mãos, entraram por minha cabeça
e desceram por todo o corpo.
Baixei os braços, sentindo que meu
corpo estava ficando rígido como se fosse feito de aço.
Em seguida, comecei a girar e tudo escureceu.
Quando dei por mim, estava em uma sala com
pouquíssima luminosidade. As paredes pareciam ser
feitas de algum tipo de metal cinza-escuro.
Rapidamente, a parede foi quebrada por uma
criatura que tinha a forma descomunal. Calculei uns
três metros de altura por dois de largura.
Sua aparência era monstruosa e eu sabia que ele queria
me pegar.
Antes que ele percebesse, agi rápido
como um relâmpago, pegando um dos braços da criatura
e arremessando-a para longe.
Pensei: "Nossa! Como a energia
do aparelho me fez ficar forte! Aquele ser parecia leve
como isopor!"
Saí correndo da sala passando pelo
buraco que fora feito na parede.
Subitamente, percebi o que estava acontecendo,
através de informações que vinham do meu
inconsciente astral, e indicavam que eu me encontrava dentro
de uma base negativa e que deveria aprisionar todos os que fizessem
parte daquela organização.
Percorri um longo corredor, até que
avistei perto da parede, à minha direita, gigantescos
tubos de ensaio. Tinham de três a quatro metros
de altura e dois a três metros de largura.
Alguns continham criaturas ainda em formação,
as quais estavam sendo geradas em laboratório.
Surgiram, repentinamente, soldados com forma
humana, vindos de portas espalhadas ao longo do corredor.
Trajavam uniformes de cor cinza-escuro, feitos de um tecido parecido
com o brim.
Feixes de raios vermelhos cruzaram o corredor
tentando me atingir. Notei que os soldados seguravam bastões
de onde os raios saíam.
Um deles acertou-me com um raio, porém
nada senti. Assim sendo, corri em sua direção
e derrubei-o com um golpe. Tomei seu bastão e segui
velozmente pelo corredor. Usando o bastão, atirei
nos soldados que encontrava pela frente.
Chegando a um local que parecia ser a portaria
do prédio, deparei-me com quatro portas feitas de material
transparente que, por sinal, era muito resistente.
Fui cercado por muitos soldados e, novamente,
houve luta corporal.
Entretanto, a minha força era tanta
que podia arremessar os oponentes a muitos metros de distância.
Após vencer todos que estavam nas proximidades
da portaria, fui correndo rumo à porta, com a intenção
de derrubá-la.
Ao receber o impacto do meu corpo, a enorme
porta tombou ao chão, com um barulho trovejante.
Apressado, passei por cima dela e dirigi-me à cerca de
arame que havia em volta do prédio.
Estrondosos tiros de metralhadoras foram disparados
aproximadamente a duzentos metros além da cerca.
Aproximando-me, pude identificar um outro
exército tentando entrar na base, todavia estavam sendo
impedidos pela segurança da base, cujo esquema envolvia
também um campo-de-força eletromagnético
instalado na cerca.
Ocorreu-me que poderia pular ou derrubar a
cerca. Preferi derrubá-la, mas para tal, precisava
concentrar-me a fim de aumentar o campo eletromagnético
da minha aura.
Toquei a cerca com as mãos e dei uma
descarga de energia psico-elétrica. Com isso,
o campo eletromagnético foi desativado e pude derrubar
parte da cerca.
Pude observar dezenas de soldados, vestidos
em macacões de cor azul-celeste, atirando no prédio
com metralhadoras. Não tive receio algum, pois sabia
que eles estavam do meu lado.
Foram, então, atravessando a cerca
derrubada. O comandante do pelotão azul veio até
mim e falou:
- Graças a Deus atenderam nosso
pedido de socorro e enviaram você aqui! A coisa estava
realmente feia, pois há dias estamos tentando entrar nesta
base científica das trevas.
Expliquei:
- Meu nome é Aldomon. Estava
andando perto da minha casa, quando algumas coisas aconteceram
e, de repente, vim parar aqui. Nem mesmo sei onde estou,
apesar de saber que vocês também fazem parte do
Exército da Luz.
- Você está na América
Central, ajudando-nos a destruir uma organização
muito perigosa. Já faz alguns anos que vários
integrantes desta organização trabalham no desenvolvimento
de criaturas muito fortes que, geralmente, são utilizadas
por comandos mafiosos para amedrontar e controlar os habitantes
de certas regiões de vários países, chegando
até mesmo ao ponto de controlar habitantes do plano físico.
Enquanto fiquei conversando com o comandante
azul, seus soldados levavam os prisioneiros para os veículos.
Ao mesmo tempo, outros soldados preparavam explosivos para destruir
o prédio da base negativa.
De repente, um estrondo. O prédio
virou poeira depois da explosão.
Notei que também havia algumas mulheres
entre os soldados do pelotão azul. Uma delas, que
parecia ser a mais experiente, veio em minha direção.
Percebi um certo ar de curiosidade em seu rosto. Ao aproximar-se,
perguntou:
- De onde você vem?
"- Do Brasil. Você
conhece?" - respondi atencioso.
- Sim, já estive por lá
algumas vezes. Você fez um belo trabalho aqui.
Onde aprendeu a lutar daquele jeito?
Um pouco confuso, disse:
- Não sei. Estou vivendo
no mundo físico, mas ainda não recobrei a memória
das vidas anteriores. Vez ou outra acontece de eu fazer
coisas que não sei onde ou quando aprendi. Mistérios
como este às vezes me deixam bastante confuso.
Ela sorriu e perguntou:
- Qual é o seu nome?
- Aldomon. E o seu?
- Simone.
- Muito prazer em conhecê-la.
Apareça no Brasil qualquer dia destes para conversarmos
mais! - falei, bem-humorado.
Uma nave triangular pairou no céu logo
acima de mim. Despedi-me do comandante azul e de Simone
para, em seguida, teleportar-me para a nave.
Já estando sentado na poltrona do controle,
notei que estava sozinho. A nave havia chegado ali através
do piloto automático. Refleti: "Eu não
sei pilotar nave! O que vou fazer agora?"
Instantaneamente, uma voz apareceu dentro
da minha cabeça, orientando-me:
- Eleve seu padrão vibracional
para que eu possa entrar em sintonia com você.
Perguntei quem estava falando comigo, quando
a voz interior me explicou que era a consciência do meu
corpo mais sutil.
Obedeci às instruções
e elevei meu padrão vibracional.
Subitamente, minha consciência começou
a mudar e, como num toque de mágica, eu sabia como pilotar.
Ajustei os controles e parti rumo ao Brasil.
A noite estava estrelada e havia pouquíssimas
nuvens no céu. Alguns poucos seres voavam pelo firmamento
e não detectei presença de outras naves nas proximidades
da rota de vôo.
Pelo monitor, avistei a Floresta Amazônica
e, num instante, estava sobrevoando o Brasil.
Parei a nave um pouco acima da minha casa
e voltei para o corpo físico rapidamente.
Acordei envolvido por uma imensa satisfação.
Havia meses que quase todas as noites, eu
usava o aparelho adaptado ao meu pulso em batalhas contra as
trevas.
No final do ano, viajei de férias.
Em uma das cidades em que fiquei pude perceber
que, mesmo estando no corpo físico, as vibrações
astrais da região eram muito baixas.
Certa noite, ao projetar-me, fui atacado por
entidades agressivas. Pensei que fosse fácil vencê-las.
Bastaria que ativasse o energizador para ficar super forte.
Olhei para o meu pulso, à procura do
pequeno aparelho. Fui surpreendido, pois ele não
estava mais lá. Fiquei pensativo, afinal apenas
os extraterrestres conseguiriam retirá-lo.
Estando eu em desvantagem, voltei para o corpo
físico instantaneamente.
Enquanto não esclarecia com os extraterrestres
o desaparecimento do aparelho, passei algumas noites projetando-me
apenas para dimensões astrais mais sutis, onde não
corria o risco de ser atacado.
Terminadas as férias, regressei a Brasília.
Minha primeira noite após a chegada,
saí do corpo e encontrei novamente a mulher extraterrestre
que havia colocado o aparelho em mim.
A primeira coisa que perguntei a ela foi o
motivo do desaparecimento do energizador. Veio a explicação:
- É necessário que você
desenvolva sua própria fonte de energia.
- Mas, de onde vou retirar tanta energia?
- perguntei, curioso.
Sorridente, ela respondeu:
- Você ainda irá descobrir
muitas coisas sobre si mesmo. Coisas que foram esquecidas
devido à amnésia temporária. Ao longo
de várias vidas, você adquiriu diversas capacidades,
as quais foram adormecidas no esquecimento.
Um pouco confuso e cheio de curiosidade, insisti
em perguntar de onde viria a energia que passaria a alimentar
meus poderes fora do corpo. Atenciosa, ela respondeu:
- Você irá desenvolver
uma energia conhecida no plano físico como Kundalini.
- Como irei conhecer essa energia? -
perguntei.
Percebi que os olhos dela brilharam, pois
havia notado meu sincero interesse.
- Procure mais informações
no plano físico a respeito dessa energia, e prepare-se
para ativá-la em si próprio.
A mulher espacial despediu-se de mim e desapareceu
dentro de um espiral de energia brilhante.
Pela manhã, já no corpo físico,
lembrei que tinha um amigo conhecedor de coisas esotéricas.
Era bem provável que ele soubesse algo sobre a energia
Kundalini.
Quando pude encontrá-lo, tive a oportunidade
de coletar nomes de alguns livros existentes, em língua
portuguesa, nos quais constavam informações sobre
a Kundalini, uma energia bastante desconhecida no Ocidente.
Li atentamente os livros, mas fiquei decepcionado.
Nenhum deles passava técnicas de como lidar diretamente
com a referida energia.
Um deles, chamava-se "O Despertar da
Kundalini".
Neste livro, aprendi teoricamente que a Kundalini
é uma energia ígnea muito poderosa, que sobe da
base da coluna vertebral até o topo da cabeça,
onde circula, para depois regressar à base da coluna.
Também constava que a Kundalini, quando
despertada em plena harmonia, pode provocar o surgimento de diversas
faculdades psíquicas (paranormais).
Porém, se despertada de maneira errada, provoca terríveis
desequilíbrios, que poderiam ser de ordem mental ou até
mesmo causar a morte física.
Concluída a leitura do livro, acreditei
ainda serem insuficientes as informações nele contidas.
Em uma noite em que o céu transbordava
de estrelas cintilantes, fui arrebatado suavemente para fora
do corpo. Notei que a vibração da dimensão
astral em que me encontrava era bastante alta. Procurei
senti-la apuradamente, a fim de identificá-la.
Já sabia que estava na décima dimensão,
onde conseguiria voar ou materializar energias psíquicas.
Atravessei rapidamente o teto da casa, voando
em direção ao céu. Fiquei extasiado
com a beleza das estrelas.
Expandi minha visão, e pude avistar
uma infinidade de galáxias espalhadas ao longo do Universo.
Pude refletir: "Diante da liberdade que tenho agora,
contemplando as belezas do Infinito, compreendo o porquê
de, quando estou no corpo físico, às vezes me sentir
triste, como se fosse prisioneiro de um cárcere, cujas
grades são as limitações do corpo de carne."
Contudo, naquele instante, sentia-me muitíssimo
feliz por ter a liberdade de sair do corpo e conhecer outros
mundos, dimensionais ou espaciais, aprendendo na prática
sobre a existência de várias realidades.
Tive minha meditação interrompida
por uma voz feminina desconhecida, pronunciando meu nome.
Olhei ao meu redor e deparei-me com uma bela
mulher, de cabelos curtíssimos cor-de-prata polida, que
refletiam o brilho das estrelas. Trajava um vestido amarelo-ouro
e, em seus olhos vermelhos como dois rubis brilhava um poder
misterioso.
- Quem é você? E
como me conhece, já que chamou-me pelo nome? - perguntei.
Sua voz trovejante ecoou no céu, com
autoridade:
- Eu o conheço de um passado
distante, cujas lembranças você não tem.
Meu nome não importa, pois sou conhecida por vários
nomes, que dependem do lugar e do tempo em que apareço.
Tive total confiança nela, mesmo sem
lembrar de onde a conhecia. Sua presença causava
uma agradável sensação. Fui tomado
por uma irresistível curiosidade:
- O que você quer comigo?
Amavelmente, ela respondeu:
- Eu vim para despertar sua energia
Kundalini, para que você tenha o poder.
Bastante surpreso, quis saber que poder era
aquele a que se referia.
- O poder advindo da iluminação
cósmica. - esclareceu.
Apesar da minha ignorância em relação
aos assuntos espirituais, estava sedento de informações.
Indaguei:
- O que é iluminação
cósmica?
- Você saberá o que significa
quando acontecer. Partirei agora, mas voltarei a procurá-lo.
Mudarei a sua vida, e você jamais será o mesmo.
A mulher transformou-se em uma agitada labareda
cor de rubi, e dissipou-se no ar, desaparecendo por completo.
Estava, de certa maneira, feliz com as promessas
de mudança de vida que ouvira daquela misteriosa mulher.
Entretanto, fiquei pensativo e um pouco receoso, pois não
fazia idéia alguma do que seria a iluminação
cósmica.
Três dias se seguiram e eu encontrava-me
projetado, andando às margens de um lago sereno, cercado
por uma das florestas de pinheiros do Canadá.
A noite era de lua cheia. Absorto com
a paisagem, divagava envolvido pelo espetáculo da criação
realizado pelos elementais da natureza.
No céu, as fadas brilhantes bailavam
sobre as águas espelhadas do lago, que refletiam em si
a luz do luar.
Escutava um coro de vozes estridentes, cuja
beleza e encanto podiam hipnotizar. Eram as ondinas,
sentadas sobre as pedras às margens do lago. Suas
formas eram semelhantes às de pequenas sereias.
Elas presenteavam o ambiente com suas lindas melodias.
Diante dos meus olhos surgiu uma labareda.
Pensei: "Deve ser a mulher da Kundalini!"
Eu estava certo. Ela aparecia como outrora,
falando com autoridade e energia:
- Aldomon! Hoje sua Kundalini
será ativada!
Fiquei calado, observando-a atentamente.
Ela levantou seu braço direito e apareceu
em sua mão um punhal luminoso.
Um raio energético saiu do punhal em
minha direção, envolvendo meu corpo por completo
e fazendo com que ele vibrasse. De súbito, fui lançado
par fora do meu primeiro corpo astral, o qual ficou de pé,
imóvel como uma estátua.
Pela primeira vez tive consciência de
que não possuía apenas um corpo astral.
Meu poder mental era bem mais ampliado estando
eu no segundo corpo astral.
A mulher de olhos vermelhos aproximou-se e
entregou-me o punhal. Segurei com firmeza e curioso,
examinei-o em seus mínimos detalhes.
Seu cabo era do mais puro ouro, trabalhado
em alto-relevo. Sua lâmina era de prata polida.
Ao contemplá-la, admirando a perfeição de
seu acabamento, pude notar uma gravura de um homem em baixo-relevo.
A fisionomia deste homem assemelhava-se à de uma estátua
antiga do deus grego Apolo. Contudo, havia uma diferença
marcante: o homem do desenho tinha uma serpente naja enrolada
em seu corpo.
Perguntei à mulher qual era o significado
daquele símbolo, e ela explicou-me que aquele era o punhal
da serpente de fogo, símbolo do domínio da energia
Kundalini que, quando despertada, sobe enrolando-se pelo corpo,
tal uma labareda serpentina.
Inexplicavelmente, veio à minha cabeça
o que deveria fazer com aquele punhal.
Segurei-o em minha mão direita e aproximei-o
do meu primeiro corpo e, com um golpe preciso, enfiei o punhal
na base da coluna vertebral.
Com o fio de sua lâmina, percorri toda
a coluna vertebral, de baixo para cima, parando brevemente no
topo da cabeça.
Em seguida, cravei toda sua lâmina no
crânio. O cabo do punhal começou a brilhar
cada vez mais, transformando-se em um magnífico sol dourado,
cuja luz clareou todo o ambiente à margem do lago, onde
estávamos.
Após alguns instantes, o punhal voltou
ao seu estado anterior. Descravei a lâmina
do topo da cabeça, fazendo com ela um trajeto até
a ponta do nariz.
Concluída a operação,
devolvi o punhal à mulher, que já havia se transformado
em labareda.
Pouco antes de desaparecer, ela disse que
voltaria a me encontrar para continuar o desenvolvimento.
CONTINUA...