UNIDADE PRATA
PARTE -3-  |
Copyright
© Aldomon SVCA 1996.
Os raios do sol brindavam o alvorecer de mais um dia.
Eu, em minha cama, novamente abria os olhos
para o mundo físico. Espreguicei-me, assumindo
o controle do corpo.
Sentia-me tão diferente, era como se
algo tivesse alterado profundamente a minha consciência.
Vasculhando a memória, lembrei-me dos
encontros que tivera com a mulher de fogo. As recordações
vieram tão fortes e vivas que sua voz parecia ainda ecoar
em minha consciência, dizendo-me: "Eu mudarei
sua vida e você jamais será o mesmo".
Só então pude compreender o
motivo de tanta estranheza em relação a mim mesmo.
O dia que se iniciava era um marco em minha vida.
Antes mesmo que eu pudesse levantar da cama,
fui envolvido por uma luz extremamente forte que ofuscou-me totalmente.
Pensei: "Se fosse em outros tempos,
eu ficaria tomado de pavor. Mas agora, não.
Tornei-me outra pessoa."
A luz diminuiu de intensidade, possibilitando
aos meus olhos identificar sua origem. Era um sol, uma
espécie de miniatura daquele que ilumina o planeta Terra.
Ele começou a se comunicar comigo,
através de telepatia, chamando-me pelo nome.
Sem que eu precisasse pronunciar uma palavra
sequer, perguntei:
- Quem é você?
A resposta veio, em uma voz que transmitia
infinita sabedoria e serenidade:
- Eu sou a essência da sua vida.
Sem mim você não existe, mas eu existo sem você.
Sua natureza é efêmera e mutável, que vive,
transforma-se e deixa de existir, enquanto a minha é eterna
e infinita, que em tudo se manifesta, alimentando e sentindo
todas as vidas que pulsam na Criação. Você
existe para mim, pois sou seu Eu Superior.
Fiquei profundamente surpreso e um tanto abalado
com a revelação.
- Por que só agora me procura,
se já faz algum tempo que vivo neste corpo, sofrendo terríveis
limitações conscienciais, sem contar as outras?
- indaguei.
Ele então falou-me com ternura:
- Eu sempre estive com você, falando
por meio de sua consciência. Apesar de você
sempre me escutar, raramente me dava ouvidos. Na maioria
das vezes, era sufocado e silenciado, mas agora você me
atende, e comigo quer aprender sobre as coisas da vida.
Estarei com você até que sejamos um.
Inesperadamente, o sol entrou por minha cabeça
e desapareceu. Entretanto, deixou sua presença em
minha consciência e em meu coração.
Deste dia em diante, jamais me senti só,
pois dentro de mim escutava a voz sem som, que incansavelmente
me ensinava as leis da criação.
Pude ter acesso a respostas que jamais imaginara
existirem.
O contato contínuo com meu Eu Superior
fizera em mim uma radical mudança, como se dia após
dia eu nascesse de novo, tornando-me totalmente diferente do
que eu era.
Fui motivo de choque e espanto para as pessoas
que conviviam comigo que, em pouco tempo perceberam que eu me
tornara um estranho, não apenas a eles, mas também
para o mundo em que viviam. De uma hora para outra, senti-me
um estrangeiro que, subitamente, aparece em uma terra desconhecida
e percebe que a maioria de seus habitantes parecem viver imersos
na inconsciência de si mesmos.
Por muitas vezes, em minhas meditações,
fui presenteado com a voz complacente do Eu Superior, atuando
em minha consciência e sintonizando-a com as realidades
existenciais cada vez mais sutis. O contato com realidades
mais evoluídas tornava minha consciência cada vez
mais ampliada.
Uma semana havia passado desde o primeiro
contato com o Eu Superior.
Estava fora do corpo físico, em meu
quarto, quando de repente a mulher de fogo entrou pela parede.
Parecia apressada, e foi logo dizendo:
- Volte para o corpo físico.
Hoje você irá elevar a Kundalini.
Regressei imediatamente ao corpo e, deitado
na cama, pus-me a esperar.
Passados alguns instantes, comecei a
ter a sensação de existir uma coroa de energia
no alto da minha cabeça, lançando um raio que rapidamente
desceu pela coluna vertebral até o cóccix.
De imediato tive o controle da circulação das energias
psico-elétricas do meu organismo.
Um tanto quanto alheio à minha vontade,
puxei a energia central da espinha, de baixo para cima.
Quando a energia bateu na cabeça, abriu-se
um universo interior.
Neste momento, enxerguei com os olhos do espírito.
Dentro de mim, vi galáxias, constelações
e planetas.
Senti que aproximava-se o momento da fusão
do meu microcosmo com o macrocosmo.
Quando tive este pensamento, duas outras energias
começaram a subir pela coluna vertebral. Uma era
yin, e a outra yang. Ao entrarem em minha cabeça,
foram transferidas para o meu microcosmo. Quando as duas
se tocaram, instantaneamente transformaram-se em um líquido
dourado, o qual jorrou de forma suave, em meio ao meu universo
interior.
Fui totalmente envolvido por um êxtase
incomensurável.
À medida em que o jorro aumentava,
sentia como se todos os seres da Criação habitassem
em mim, ao mesmo tempo em que eu me manifestava em todas as criaturas
do macrocosmo. Tudo isso em uma fração de
tempo que não havia como calcular.
Simultaneamente, eu era o falcão que
voava alto em um país distante e também o vento
no qual o falcão planava suas asas. Era a
montanha que enfeitava o horizonte; habitava o sol a iluminar
o sistema solar.
Senti a presença de Deus em mim, chegando
à conclusão de que tudo que existe faz parte de
Deus.
De repente, pude sentir que uma série
de faculdades psíquicas tinham sido acionadas.
Eu podia ver qualquer coisa que quisesse, bastando pensar para
que surgisse em minha cabeça a imagem da coisa desejada.
Pude escutar os pensamentos de qualquer pessoa.
Minha cabeça foi mudando de forma. Seu topo ficou
pontiagudo. Pensei: "Nossa! Se minha cabeça
não voltar ao normal, o que vou fazer?"
O líquido dourado desapareceu e o êxtase
diminuiu. As faculdades recém adquiridas também
foram desativadas.
Levantei-me da cama ainda sentindo um suave
prazer cósmico.
Durante algum tempo fiquei sentado na cama,
quase totalmente imóvel.
Minha cabeça estava envolvida por um
turbilhão de pensamentos, vindos dos mundos mais sutis.
Tais pensamentos faziam minha consciência expandir-se cada
vez mais, interpenetrando e sentindo a consciência de outros
seres, entrando em uma verdadeira empatia cósmica.
Deitei-me novamente, com a intenção
de sair do corpo. Sabia que estava com uma vibração
tão alta que naturalmente me projetaria para dimensões
bastante sutis.
Comecei a flutuar lentamente para fora do
corpo, e pude observar que ele havia se transformado em um brilhante
sol dourado.
Todo o meu quarto ficou imensamente iluminado.
De súbito, uma força desconhecida
impulsionou-me para cima.
Não reagi, pois sabia que, com toda
certeza, poderia confiar no que estava acontecendo.
Saí da atmosfera terrestre em
altíssima velocidade. Logo atrás de
mim formara-se uma cauda faiscante, que assemelhava-se a de uma
estrela cadente.
Sem que eu percebesse, atravessei o sistema
solar, passei velozmente entre as constelações
da Via Láctea. Ao atravessar a galáxia,
fiquei momentaneamente estacionado no espaço vazio que
há entre as galáxias.
Esperava que alguma coisa surgisse perto de
mim quando, a uns duzentos metros, um imenso espiral branco
apareceu, sugando-me para dentro dele.
Ao ser inevitavelmente tragado, transitei
por um túnel branco e prateado.
Terminada a travessia, identifiquei que estava
em um mundo onde as formas eram inexistentes, a começar
por mim mesmo. Meu corpo desintegrou, transformando-se
em essência espiritual que, de imediato, fundiu-se ao mundo
da essência da vida.
O mundo em que eu acabara de entrar possuía,
em sua natureza, leis totalmente adversas às que regem
o planeta Terra.
Sentia tantas coisas maravilhosas, impossíveis
de serem transmitidas através das palavras que, mesmo
que buscasse em todos os dicionários de toda a Criação,
não teria como descrever uma fração do que
eu estava vivendo naquele instante.
Sentia minha existência em Deus.
A partir das experiências naquele mundo
da essência primordial de todas as coisas, passei a chamá-lo
de "Mundo do Criador Absoluto", aquele que sempre existiu
e sempre existirá.
Inesperadamente perdi a transmissão
dos dados da memória, os quais estavam sendo transferidos
da essência espiritual para o corpo físico.
Comecei a acordar no corpo físico,
envolvido por uma agradabilíssima sensação
de paz.
Com movimentos harmoniosos e lentos, levantei-me
delicadamente da cama. Após minha higiene pessoal,
sentei-me em uma pedra que ficava em frente à minha casa.
Em estado de semi-êxtase, contemplava
as flores da única planta existente na fachada da casa.
Era uma pequena roseira, que parecia exibir com felicidade os
poucos botões que lhe restaram.
Com carinho, puxei um dos galhos podados
da roseira e, com atenção, pude observar um minúsculo
botão, que parecia dormir enquanto suas pétalas
concluíam a formação. Pensei
comigo mesmo: "De certa forma, sinto-me como este botão
de rosa, pois também estou abrindo as pétalas da
consciência para um novo mundo em minha vida."
Segurei com suavidade o talo do botão,
colocando-o entre os dedos. Após alguns instantes,
sem que eu quisesse, suas pétalas começaram a abrir
numa velocidade espantosa.
Quando o botão ia se tornar flor por
completo, resolvi soltá-lo, pois concluí que sua
vida seria muito curta caso eu continuasse acelerando seu desenvolvimento.
Refleti: "Não posso restringir a vida de uma rosa
tão linda, que veio trazer beleza e fragrância tão
agradáveis ao mundo."
Questionei-me quanto ao fato deste meu desenvolvimento
consciencial, nesta velocidade, poder estar oferecendo algum
risco ao meu corpo. Preferi deixar o próprio
tempo responder sendo que, de qualquer maneira, não era
meu desejo desacelerar o processo de expansão consciencial.
Fui para o trabalho, onde permaneci durante
todo o dia. Era funcionário de uma oficina de fabricação
de jóias, cujo proprietário era meu pai.
Almoçávamos lá mesmo
e, naquele dia, algo muito estranho começou a acontecer.
Quando o almoço chegou eu não estava com fome.
Mesmo assim, insisti em comer.
De repente, uma dor dilacerante tomou todo
o meu aparelho digestivo. Era um mistério a origem
daquela dor, já que a comida era a mesma que estava sendo
ingerida pelo meu pai, que parecia nada sentir.
Discretamente parei de comer e guardei meu
prato. Passados alguns minutos, a dor desapareceu.
Durante uma semana fiquei sem comer nada,
apenas tomando água.
Tal procedimento trouxe uma série de
problemas familiares, o que não foi surpresa para mim.
Voltei gradualmente a me alimentar, mas uma
radical mudança foi feita em minha dieta. Dali em
diante, nenhuma espécie de carne poderia ser ingerida,
ou mesmo qualquer substância tóxica.
Naqueles dias que passei em jejum, os extraterrestres
submeteram-me a uma desintoxicação psico-física,
por meio de aparelhagem interplanetária.
Certa noite, após ter deitado para
dormir, fui surpreendido por uma equipe de cientistas extraterrestres.
Embora estivessem invisíveis aos olhos físicos,
pude vê-los através da clarividência.
Contudo, não foi possível ver seus rostos, pois
trajavam um macacão de cor branca, que estendia-se até
seus capacetes.
Um deles colocou um aparelho em meus pés,
enquanto outro colocava uma espécie de capacete em minha
cabeça.
A clarividência possibilitava-me assistir
toda a operação, como se eu estivesse do lado de
fora do meu corpo, pois podia me ver deitado na cama, rodeado
de cientistas.
Num dado momento, percebi que os aparelhos
seriam ativados. Permaneci deitado, imóvel e com
os olhos fechados, na expectativa do que iria acontecer comigo.
Porém o que se seguiu não foi muito agradável.
Quando acionaram os aparelhos, levei uma descarga
elétrica descomunal, a qual me levou a contorcer violentamente
meu corpo, que encontrava-se em estado de choque.
Tudo aconteceu muito rápido, mas foi
tempo suficiente para desmotivar-me a fazer outra seção.
Felizmente, escutei pela clariaudiência
um dos extraterrestres comunicar-me que a operação
estava concluída.
Ainda era noite, mas mesmo assim levantei
da cama por alguns instantes e, a passos lentos e trêmulos
fui em direção à cozinha, em busca de um
copo d'água.
Meu coração batia muito rápido
e descompassado. No entanto, após sorver os primeiros
goles daquele líquido cristalino, as batidas foram gradualmente
ficando serenas em meu peito.
Bem mais calmo, regressei à cama e
deitei aliviado por não ter que tomar outro choque.
Sem dificuldade fui envolvido pelo sono.
No dia seguinte, levantei-me sentido meu corpo
muito diferente. Era uma forte sensação
de leveza, parecia que a metade do meu peso havia desaparecido.
Consultando a balança, constatei não haver alteração
alguma em meu peso real.
Também senti, de imediato, que minha
memória havia mudado. Conseguia lembrar-me de coisas
que até então ignorava. As lembranças
recém-adquiridas foram retrocedendo no tempo que, em poucos
minutos, meus dias de adolescência, como também
da infância, passaram rapidamente diante de minha memória.
Então algo incrível aconteceu:
rompi a barreira do meu nascimento e pude ver onde me encontrava
antes de nascer.
Em um mundo não-físico eu existia,
e lá fazia o planejamento para ingressar em um corpo físico
da Terra.
De início, só consegui recordar
que nasci com uma missão a cumprir, mas não me
lembrava qual era esta missão.
Pacientemente fiquei aguardando, na esperança
de que o tempo revelaria o motivo maior pelo qual eu teria vindo
a este mundo.
Enquanto não descobria qual era a missão,
dediquei-me a um trabalho hercúleo de aprimoramento interior,
principalmente no que se referia a padrões mais elevados
dos aspectos ético e moral, um tanto diferentes dos apresentados
pela maioria dos habitantes deste planeta.
Por diversas semanas conversei durante longas
horas com meu Eu Superior, o qual se dedicou em me ensinar
coisas a respeito de um tipo de amor, composto por uma gama de
sentimentos que, unidos, formavam a manifestação
do Cristo Interior.
Fiquei um pouco confuso no início porque,
desde criança, sempre que ouvia falar em Cristo, referiam-se
a Jesus.
Jamais passara por minha cabeça, até
então, que qualquer ser humano poderia ter dentro de si
o Cristo, apenas pelo fato de desenvolver o amor incondicional
e a justiça cosmica.
Todas as minhas noites eram repletas de ação,
pois em cada uma delas o período de saída do corpo
intensificava-se mais e mais, em função do aumento
do tempo de transmissão da memória extrafísica
para o corpo físico.
O contato com outras realidades mudava cada
vez mais a minha vida.
Com a capacidade de sair do corpo quando eu
quisesse, tornei-me um viajante interdimensional. Após
adquirir o domínio da transição dimensional,
fui convocado pelo Comando Ashtar.
Naquela época, eu ainda não
tinha consciência da minha real identidade.
Em função disto, fiquei um tanto
quanto surpreso com a convocação, a qual se deu
em uma noite em que as estrelas brilhavam fortemente, mostrando
a galáxia toda sua glória.
Eu tinha acabado de me projetar e, de pé
sobre o telhado da minha casa, fitei por alguns momentos o céu,
buscando entre as estrelas um brilho diferente.
Eis que surge no firmamento o brilho da nave
que eu estava a esperar. Como uma águia, ela
pairou logo acima de mim.
Imediatamente fui banhado por uma luz cilíndrica,
peculiar às aparições de naves espaciais.
Teleportaram-me para o centro do controle.
Lá chegando, fui calorosamente recebido por uma
pequena equipe, trajando armaduras eletrônicas de cor prata-espelhada.
Sem demora, a nave levantou vôo em direção
ao espaço sideral. Assim que saímos
da atmosfera, avistei uma imensa nave-mãe. Nossa
velocidade era tão alta que, quando percebi, já
havíamos entrado em seu interior.
À procura do Comandante Ashtar, entrei
em uma ampla sala onde já se encontrava outra equipe.
Ashtar veio até mim, dizendo:
- Aldomon, creio que você já
esteja preparado para trabalhar diretamente conosco na Missão
Terra.
- O que é a Missão Terra?
- perguntei interessado - Como bem sabe, ainda não consigo
me lembrar totalmente da memória imortal.
Ele então explicou-me com paciência:
- Missão Terra é a transmigração
em massa de todos os seres e criaturas trevosas que habitam este
planeta. A Terra possui um governo negativo, dirigido
por uma falange de seres que possuem a forma de dragões.
Tais seres constituem a Falange dos Dragões. Uma
das missões do meu Comando é retirar todos estes
seres do planeta Terra, levando-os para outros planetas que sejam
compatíveis com suas evoluções. A
partir de agora, você irá reassumir sua Unidade.
Ashtar pediu-me que o acompanhasse.
Caminhou em direção a uma porta, que se abriu com
sua aproximação.
Todos que estavam na sala nos seguiram.
Tive a sensação de que apenas eu não sabia
do que se tratava. Pensei: "Será uma festa
surpresa?"
De certa maneira estava certo pois, ao atravessar
a porta, fui presenteado com uma visão que fez meu coração
bater como nunca.
Diante de mim encontrei um pátio lotado
de integrantes da Unidade Prata.
Ao vê-los senti algo tão forte
dentro de mim, que escutei um estalo interior e, num piscar de
olhos, lembrei-me de várias vidas anteriores, inclusive
a que tive em Metalha.
Os primeiros que se aproximaram foram Crodon,
Sion e Drilha. Notei que Miria estava ausente. Com
eles, subi no palanque onde éramos esperados e depois
de enchugar as lagrimas de felicidade comecei a falar:
- Como todos sabem, estou vivendo em
um corpo da Terra, o que faz com que terríveis limitações
me sejam impostas. Porém, ao projetar-me para fora
do corpo físico, posso ampliar minha consciência
e trabalhar com a Unidade. Entretanto, em algumas
circunstâncias, eu é que precisarei de ajuda.
Minha explanação foi bastante
rápida.
Retornei ao corpo bastante pensativo mas,
novamente, fui envolvido pelo sono.
As batalhas contra as trevas intensificaram-se
cada vez mais.
Raras eram as noites em que as naves astrais
do Cruzador não sobrevoavam cidades das regiões
astrais mais densas.
Os exércitos das sombras também
possuíam naves, contudo eram extremamente obsoletas.
Suas tentativas de resistência bélica sempre eram
em vão, pois eram derrotados pelas Unidades do Comando.
As Unidades rastreavam todos os quadrantes
e setores do planeta. Uma de nossas atividades mais
comuns era capturar e prender os comandantes negativos.
Por muitas vezes eu, como policial secreto,
lancei mão de disfarces para infiltrar-me no exército
inimigo.
Certa noite, recebi uma comunicação
de um integrante da Unidade informando que precisavam de mim
imediatamente no plano astral, pois eu deveria participar de
uma missão de emergência.
Concluída a comunicação,
fui depressa para o meu quarto e deitei-me na cama. Energizei
meu corpo, provocando um estado vibracional que projetou-me para
fora do físico.
Ao aparecer no plano astral, fui recebido
por dois soldados da Unidade Prata. Expandi minha consciência,
adquirindo o nível mental de um extraterrestre.
Esse tipo de alteração consciencial provocava em
mim uma dualidade bastante distinta: Uma parte de mim mantinha
o nível mental do corpo físico, enquanto outra
era de um nível mental extraterrestre.
Partimos em uma nave, destinados a pousar
numa réplica astral do Cruzador Triton, o qual se encontrava
estacionado um pouco acima da Lua.
Entrando no Cruzador, dirigi-me ao Centro
de Planejamento Estratégico, onde encontrei diversas equipes
da Unidade que participariam da ação.
Eram mais de quinhentos seres (homens e mulheres), oriundos de
vários planetas.
Todos estavam sentados em poltronas, localizadas
em uma arquibancada em forma de meia-lua, perante um gigantesco
telão visual. Também havia, diante de cada
poltrona, uma pequena tela com imagens coloridas.
Um pouco abaixo do telão, havia um painel composto por
dezenas de telas visuais de diversos tamanhos e cores.
Dez poltronas ficavam de frente para a arquibancada,
junto ao painel. Sentei-me em uma delas e, telepaticamente,
comecei a comunicar-me com os demais:
- A missão desta noite consiste
em atacar a base avançada da Falange dos Dragões,
localizada no Quadrante-66 do Golfo Pérsico, no Oriente
Médio. Teremos que destruí-la por completo
e fechar aquela passagem que é ligada ao abismo, onde
mora o governador negativo do planeta Terra. Deveremos
capturar os comandantes da base e levá-los à julgamento
no Conselho Planetário. Traçaremos, agora,
a estratégia da ação.
No telão apareceu a imagem da base-alvo
e começamos a elaborar o plano. Primeiramente, analisamos
qual era a sua fonte de energia. Identificamos três
formas de alimentação utilizadas por eles.
A principal dava-se por meio de cabos condutores subterrâneos,
vindos de uma usina de força localizada no abismo.
As outras duas formas eram empregadas apenas em casos de emergência,
por meio de geradores e baterias.
Identificados todos os aspectos defensivos
da base, o plano foi concluído.
Partimos do Cruzador a bordo de uma frota
de naves de combate. Em poucos instantes estávamos
sobrevoando o Oriente Médio, cujo céu ficou tomado
por nossas naves. Eu estava pilotando um caça.
A base inimiga , ao identificar nossa presença
em seu espaço aéreo, ativou seu sistema de defesa.
O combate foi iniciado.
Nossa tecnologia era tão superior que,
em poucos minutos, vencemos e capturamos todos eles.
Utilizando os canhões de raios das naves, desintegramos
por completo a base. Em seu lugar, restou apenas um imenso
buraco escuro, o qual deveríamos soterrar. Disparamos
alguns mísseis no interior da abertura e, após
a explosão, ela foi fechada.
Concluída a missão, regressamos
ao Cruzador.
Eu estava conversando descontraidamente com
algumas pessoas quando, de repente, acordei no corpo físico.
Sonolento, abri os olhos e vi que ainda era noite. Mudei
o corpo de posição e voltei a dormir.
Em poucos meses tornava-se cada vez mais intensa
a minha participação direta nos combates pois,
gradualmente, dedicava-me a atividades de maior relevância.
No plano físico, minha vida estava
tomada de profundas transformações.
Quando não estava na oficina, mergulhava em intermináveis
meditações.
Com o passar do tempo, comecei a sentir uma
irresistível vontade de comunicar aos outros as informações
que recebia do meu Eu Superior, ou através de minhas
projeções astrais. Tal vontade tornou-se
uma necessidade.
Certo dia, estava eu na casa de um amigo,
cujos cabelos eram grisalhos atestavam sua experiência
de vários anos de trabalho no meio espiritualista.
Entre uma conversa e outra, perguntei a ele se poderia reunir,
de vez em quando, algumas pessoas em sua casa.
Ele fitou-me com o olhar sério, pensou
por alguns instantes e depois falou com alegria:
- Concordo, desde que eu faça
a escolha das pessoas que virão.
Apesar de ter adquirido as lembranças
de minhas vidas passadas e a consciência de qual era minha
participação na Missão Terra, considerava
um mistério o motivo maior pelo qual eu havia nascido
no plano físico. Por mais que eu buscasse várias
fontes de informações, este mistério permanecia
indecifrável. Pensei ser desnecessária minha
vinda para o mundo físico, pois minha participação
junto ao Comando Ashtar acontecia apenas nas dimensões
astrais.
Numa tarde de verão, iniciei meus primeiros
encontros de divulgação. Recebi um pequeno
grupo de pessoas, todos jovens e adolescentes. Eles
transmitiam bastante entusiasmo e curiosidade.
Antes que eu começasse a palestra,
fui alertado pelo nosso anfitrião de que ainda faltava
uma pessoa, que havia avisado que chegaria um pouco atrasada.
Esperamos, então, alguns minutos, até
que a campainha tocou.
Enquanto atendiam a porta, fui tomado por
um incomum interesse em saber quem era nossa convidada atrasada
mas, antes que eu pudesse abrir a boca para perguntar, ela entrou
pela porta.
Olhando o semblante da recém-chegada,
fui profundamente envolvido por sensações que jamais
experimentara ao olhar para alguém.
Meu coração bateu tão
rápido e forte que parecia querer saltar do peito.
Ao mesmo tempo, senti uma tontura muito forte.
Cheguei a pensar que fosse desmaiar.
Após o impacto do primeiro olhar, meu
organismo foi, aos poucos, voltando à serenidade.
Algumas pessoas perceberam que algo estranho tinha acontecido
comigo, mas em função da falta de intimidade, nada
perguntaram.
A jovem garota aparentava ter dezoito ou dezenove
anos, cerca de 1,65 de altura, seus cabelos eram bem curtos,
pretos e lisos. Mas, o que realmente me chamou a atenção
foi a singular expressão dos seus olhos. Eles
não me eram estranhos. Ao contemplá-los com
atenção, pareciam transformar-se em janelas de
vidro, através das quais eu podia ver a silhueta de alguém
muito íntimo, mas de quem não conseguia me lembrar.
Minha contemplação foi interrompida
pela voz alegre desta jovem que, sorrindo, apresentou-se a mim:
- Oi! Meu nome é Cíntia!
- O meu é Aldomon! Prazer
em conhecê-la. - respondi.
Ela sentou-se ao lado de um rapaz que, pela
maneira como se tratavam, pude deduzir que eram namorados.
Em seguida, iniciei minha explanação.
Durante quase três horas, falamos sobre saídas do
corpo, movimentação de energias psíquicas
e conhecimentos sobre Eu Superior e arquétipos da alma.
No término do encontro, todos pareciam
satisfeitos com aquilo que aprenderam.
Voltei para minha casa envolvido por uma gama
de novos pensamentos. A pequena palestra daquela animada
tarde, analisada pelo crivo da minha auto-crítica, mostrava
ser o limiar de uma nova vida.
Uma idéia brilhou em minha mente e,
conspirando comigo mesmo, pensei:
"- Posso tornar-me um mensageiro de outros mundos.
Percebo, agora, o interesse de algumas pessoas em manter contato
com outras realidades, tanto dimensionais quanto existenciais.
Hoje, de certa forma, levei um pequeno grupo em uma viagem que
transcendia os horizontes de suas consciências."
Lembro-me com vivaz nitidez a expressão
de seus semblantes ao entrarem em freqüências mais
elevadas de vibrações existenciais, por muitas
vezes transparecia um suave êxtase, que cada um deles sentia
em diferentes níveis.
Invadido subitamente por uma estranha sensação,
percebi que alguém sintonizava sua mente à minha.
Quis identificar quem era o desconhecido visitante, o que veio
a ocorrer quando pude sentir sua vibração.
Surgiram em minha mente os olhos escuros levemente esverdeados
de Cíntia. Após pensar em seu nome, minha
clarividência abriu, e pude ver com toda clareza seu sorriso
alegre e meigo.
Perguntei com veemência:
- Quem é realmente você?
- Você vai acabar descobrindo,
e terá uma grande surpresa! - respondeu ela, com um ar
misterioso.
Cíntia, após pronunciar tais
palavras, rompeu bruscamente a comunicação, deixando-me
profundamente curioso e, de certa forma, fascinado com seu mistério.
Saí daquele transe agradável
e pus meus pés na realidade material.
As primeiras estrelas no firmamento anunciavam
o cair de uma noite serena, muito especial para mim, pois sentia
a vida resplandecer com indescritível força.
Aproximava-se a hora de dormir e eu já
havia feito o planejamento de sair do corpo em busca da verdadeira
identidade daquela misteriosa garota, desvendando assim, o segredo
das janelas em seus olhos.
Finalmente projetei-me para o plano astral.
Atravessei o teto e voei rumo às poucas nuvens que flutuavam
em alturas vertiginosas. Pairando acima de uma pequena
nuvem, contemplei do alto as minúsculas cidades que compunham
a paisagem daquela região.
Da altura em que eu estava, pude rastrear
com extrema precisão o local exato da moradia de Cíntia
pois, apenas pensar em seu nome, fez com que uma intuição
fortíssima conduzisse meu foco de atenção
à uma cidade situada às margens de um lago.
Por meio da clarividência, foi possível ver a casa
em que ela morava.
Com a rapidez de um raio, voei na direção
do conjunto habitacional, descendo em frente à fachada
da casa.
Não quis entrar na casa como um invasor.
Preferi chamá-la, para que fosse recebido de maneira mais
particular.
Ela surgiu quase que instantaneamente após
meu chamado.
Assim que a vi, tive uma agradabilíssima
surpresa, da forma como ela havia previsto em sua comunicação
mental.
Cíntia começou a mudar rapidamente
a vibração de sua identidade espiritual, o que
provocou uma singular transformação: diante
dos meus olhos, por meio da transfiguração,
Cíntia tornou-se Miria.
Não fiquei apenas tomado de surpresa,
mas também envolvido por uma explosão de alegria
a qual não pude conter. Atirei-me em seus
braços com tanta ternura e afeto, fazendo-me lembrar o
quanto ela era importante para mim.
Depois de saciar nossas saudades, pusemo-nos
a conversar. Primeiramente perguntei a ela se no
plano físico já tinha adquirido a consciência
de sua verdadeira identidade. Miria olhou-me com
ar solene, explicando que sua estadia no mundo físico
apresentara-lhe uma série de limitações,
que estavam dificultando o despertar da consciência imortal.
Subitamente, sem que eu esperasse, um estrondoso
barulho puxou-me compulsoriamente para o corpo físico.
Acordei um pouco assustado e busquei identificar a origem daquele
som perturbador. Sem dificuldade, percebi que não
passava de um ruído provocado pela explosão no
escapamento de um carro barulhento, que transitara naquele instante
em frente à minha casa.
Mudei de posição na cama, tentando
reconciliar-me com o sono, o qual havia sido bruscamente
interrompido.
Lamentavelmente todas as minhas tentativas
iniciais de me projetar através do adormecimento foram
frustradas, devido ao estado em que se encontrava meu corpo.
O susto que levara produziu uma quantidade excessiva de adrenalina,
provocando em mim uma incômoda agitação.
Ao constatar que não conseguiria sair
do corpo naquele exato momento, comecei a pensar no meu encontro
com Miria, ou melhor, com Cíntia - sua nova identidade
na Terra.
Com felicidade, reformulei cada detalhe de
suas palavras, pensando comigo mesmo: "Preciso ajudá-la
a recobrar a memória de outras vidas".
CONTINUA...
-