UNIDADE
PRATA PARTE -4-  |
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© Aldomon SVCA 1996.
- Fui surpreendido pelo regresso do sono que, em poucos instantes,
envolveu-me irresistivelmente numa entorpecência, a qual
me projetou novamente para o mundo astral.
Logo após ter saído do corpo, notei que
uma espaçonave havia estacionado próximo ao telhado
da casa. Sua luz intensa e os sons eletrônicos denunciavam
sua presença.
- Sem hesitar, teleportei-me para o seu interior, onde
fui recebido por duas lindas mulheres, trazendo em seus macacões
o brasão da Unidade Prata. Seus trajes eram tão
brancos que reluziam com seus movimentos.
- Cabelos dourados e lisos, compridos até a cintura.
Olhos azuis, com um brilho que transmitia esplendor e vida. Uma
delas aproximou-se um pouco mais e, com expressão de total
serenidade, falou:
- - Aldomon, o laboratório de cibernética
do Cruzador está pronto para sua cirurgia de implante
eletrônico. Os técnicos já estão à
sua espera.
Respondi, apressado:
- Antes de mais nada, preciso expandir minha consciência
e tornar-me Alderan. A partir daí poderei entender o que
você está dizendo.
Ao pronunciar a última palavra, automaticamente
minha vibração espiritual foi aumentando em saltos
quânticos. Quando dei por mim, havia me tornado Alderan
e assumido, de imediato, minha consciência interdimensional.
Pude, então, compreender a que tipo de instalação
cibernética eu seria submetido. Para que eu pudesse ampliar
meu poder de ação no uso da tecnologia extraterrestre,
fazia-se necessário um aumento vultuoso dos circuitos
e canais energéticos do meu corpo eletrônico.
- A espaçonave transitou no espaço, rompendo
velozmente a distância que nos separava do Cruzador Triton.
Numa fração de segundos, quase tão rápido
como o pensamento, adentramos a rampa de desembarque daquela
fortaleza voadora.
Assim que pousamos, teleportei-me para a sala de cirurgia.
Lá chegando, notei que já me encontrava deitado
sobre a mesa de operação.
Projetei meu segundo corpo astral para fora do primeiro
corpo, o qual ficou dormindo em cima da mesa, inerte como uma
estátua de mármore.
- Transferi plenamente minha consciência para
o segundo corpo.
-
- Estando eu de pé próximo aos cientistas,
pude perceber que também fazia parte da equipe de cirurgiões
que realizariam os implantes em meu primeiro corpo astral.
- Ficamos em volta da mesa e iniciamos um exame minucioso
do corpo, que encontrava-se totalmente despido. Feita a identificação
dos pontos dos centros de energias psico-elétricas, preparamo-nos
para efetivar a montagem dos circuitos cibernéticos.
- Aplicada a anestesia eletromagnética, começamos
a implantação. Primeiramente, introduzimos dez
circuitos de comando em centros de energia espalhados ao longo
da medula espinal.
- Em seguida, partimos para a instalação
de centenas de circuitos periféricos, localizados em pequenos
pontos de energia situados ao longo de todo o corpo. Concluída
a montagem dos circuitos, iniciamos a ligação dos
canais de energia psico-elétricas.
- Quase duas horas haviam se passado, e depois de um
trabalho muitíssimo complexo, finalmente terminamos a
operação.
Voltei para o primeiro corpo astral cheio de expectativas,
pois queria experimentar logo os resultados do implante cibernético.
Levantei-me da mesa um pouco zonzo e cambaleante mas,
em poucos segundos, estava em pleno equilíbrio.
A sala em que eu estava era de um branco brilhante. Olhando
para as várias paredes, avistei em uma delas um amplo
espelho. Fui em direção a ele com passos firmes
e fortes, na intenção de observar a aparência
do meu corpo.
- Na imagem refletida, pude ver que a pele do meu corpo
havia sido transformada em um complexo circuito eletrônico,
o que me dava o aspecto de um componente eletrônico acinzentado.
Fiquei maravilhado com o que vi.
Saí da sala de cirurgia com destino à câmara
de treinamento virtual de combate simulado. O treinamento no
simulador virtual seria de fundamental importância para
que eu aprendesse a manusear os implantes.
Eu ainda não fazia idéia de como utilizar
todos os poderes que obtive ao adquirir os implantes cibernéticos.
Eu teria acesso a uma infinidade de aparelhos eletrônicos
da mais alta tecnologia mas, no entanto, não tinha total
consciência de até que ponto meu corpo da Terra
suportaria as altas cargas de energia elétrica.
Um pouco antes de entrar na câmara de simulação,
acionei no implante uma armadura bélica. Já no
interior do simulador, pude perceber que este assemelhava-se
a uma esfera oca, vista do lado de dentro. A esfera prateada
foi acionada, dando início ao combate virtual.
Ilusoriamente, fui transportado para uma região
rochosa, de céu avermelhado e com pouquíssima luminosidade.
A primeira coisa que fiz foi ligar a visão multi-freqüencial,
que possibilitava enxergar em qualquer nível de escuridão,
ou até mesmo coisas invisíveis naquela dimensão.
- Do lado de fora do simulador, foram enviadas diretrizes
de ação, as quais foram recebidas por mim através
do comunicador do capacete.
Minha missão era descobrir uma base negativa que
estava camuflada entre as montanhas, para que pudesse resgatar
um grupo de pessoas que haviam sido raptadas.
A fim de conhecer o potencial da armadura, fiz aparecer
uma lista de recursos em um pequeno gráfico, na parte
interna do visor espelhado do capacete. Diante dos meus olhos
passaram-se centenas de mecanismos que praticamente tornavam
a armadura invencível em determinados aspectos.
Após memorizar todas as suas capacidades, elaborei
um plano para efetuar a ação. Há algum tempo,
eu havia estudado o sistema no qual funcionava o simulador, e
sabia que o programa básico de funcionamento era efetuado
por meio da recriação ilusória da exata
realidade de certas regiões, juntamente com os seres que
nelas habitam, trazendo com singular veracidade seus potenciais,
como também suas limitações.
- Liguei a invisibilidade de alta freqüência,
o que impossibilitaria que os seres inimigos detectassem minha
presença. Com um salto, comecei a voar por sobre as montanhas
e, lá do alto, pude ver com maior amplitude diversos aspectos
daquele estranho mundo.
Notei que em parte alguma da superfície existia
qualquer forma de vida.
Avistei um imensa cordilheira, onde meus sensores registraram
altos níveis de energia. Pensei: "Sem dúvida,
a base deve estar ali."
Disparando alguns mísseis que saíam de um
compartimento em minhas costas, atingi cinco montanhas que se
abriram, e de onde saíram caças de combate. Eles
não conseguiram notar minha presença.
Não quis perder a chance de testar a armadura prateada
em uma luta aérea. Sobrevoei as aeronaves, que pareciam
confusas procurando o inimigo invisível.
Dei início a um alvoroço, ao desligar a
invisibilidade. Uns dez caças partiram em minha direção,
iluminando o céu com suas rajadas de lasers vermelhos
fluorescentes.
- Contudo, antes que fosse atingido por qualquer raio,
o sistema de defesa automático da armadura fez aparecer
um escudo eletromagnético, que fazia com que qualquer
projétil que o atingisse, voltasse ao local de onde foi
disparado. Algumas aeronaves foram atingidas por seus próprios
raios, espatifando-se no solo.
Diminuí parcialmente o escudo, apenas o suficiente
para que eu pudesse atirar contra os caças que restaram.
Materializei um canhão laser e, com precisão, abati
o inimigo. Em seguida, parti para entrar na base por uma das
montanhas.
Depois de ter lutado contra a segurança interna,
resgatei os reféns e os levei para o ponto de partida.
O simulador de combate foi desligado, fazendo com que
eu retornasse à realidade, no Cruzador. Os técnicos
ficaram satisfeitos com o funcionamento do implante.
Regressei ao físico. Grande parte da manhã
havia passado enquanto eu dormia. Pensei: "Valeu a pena
ficar fora do corpo até agora!". Conferindo em meu
relógio de pulso, vi que eram nove horas da manhã.
Durante uma semana, fiz um intenso treinamento no simulador
virtual, até estar totalmente apto a enfrentar combates
reais usando a armadura do implante.
No mundo físico, havia chegado o dia de encontrar-me
com aquele pequeno grupo de jovens. Tema principal: saídas
do corpo.
- Todos os participantes da reunião estavam confortavelmente
sentados e pareciam sedentos de aprendizado. Comentavam entre
si o que tinham achado do nosso último encontro.
Bastante animado, iniciei minha explanação,
respeitosamente inquirindo a todos:
- Alguém aqui já saiu consciente do corpo
físico?
Dentre as nove pessoas presentes, apenas duas afirmaram
terem experimentado a saída astral, e uma delas era Cíntia,
o que não me surpreendeu. A outra pessoa era um jovem
amigo, chamado Carlos.
Pedi a Cíntia que nos contasse alguma de suas experiências
fora do corpo. Após alguns segundos - tempo em que parecia
escolher uma lembrança que fosse conveniente expor em
público - sua voz alegre (um tanto relutante no início)
presenteou os ouvidos aguçados dos participantes com uma
variedade de aventuras interdimensionais e algumas interplanetárias.
Uma de suas viagens despertou em mim um especial interesse.
- Certa noite, ela já havia deitado à
espera da chegada do sono quando, de repente, percebeu que encontrava-se
fora de sua cama, do lado de fora da casa, olhando fixamente
para o céu, esperando que algo surgisse no firmamento
e viesse ao seu encontro.
- Aconteceu, então, o esperado: diante de seus
olhos esverdeados apareceu uma pequena frota de espaçonaves
prateadas. Cíntia foi teleportada para o interior de uma
delas, onde seres extraterrestres mexeram em sua cabeça,
dando a impressão de que haviam implantado alguma coisa.
- Isto não lhe provocou medo, pois confiava totalmente
naqueles seres, que pareciam conhecidos de um passado distante.
Cíntia teve uma estranha sensação ao acordar
em seu quarto. Pensou: "Terá sido um sonho? Nossa!
Parecia tão real que ainda posso sentir que mexeram em
minha cabeça! Talvez eu encontre a resposta para este
mistério qualquer dia destes, entre um sonho e outro."
- Pressenti que Cíntia não recordara o
encontro que tivemos no mundo astral. Analisando o nível
de suas saídas interdimensionais, pude constatar que elas
aconteciam apenas eventualmente, cerca de uma por semana. Eram,
em sua maioria, semi-conscientes.
- No entanto, ela irradiava um imenso potencial latente,
que parecia querer aflorar e dar-lhe o domínio sobre a
saída consciente do corpo.
Caso Cíntia fosse submetida a um treinamento extrasensorial
de alto nível, teria grandes possibilidades de dominar
suas habilidades psíquicas. Minha intuição
dizia que ela ainda não estava preparada para tal desenvolvimento,
em função de sua aparente imaturidade.
O próximo a relatar suas saídas foi o tranqüilo
Carlos que, alegremente contou-nos uma de suas histórias.
Há quase um ano, Carlos estava deitado quando foi
paulatinamente envolvido por um irresistível entorpecimento,
que o fez flutuar para fora do seu corpo. Ele teve uma agradabilíssima
sensação de liberdade, o que inevitavelmente fez
com que ele se emocionasse muito.
Rapidamente perdeu a consciência, até acordar
no dia seguinte guardando as lembranças do acontecido.
Senti que o potencial de Carlos era menor que o de Cíntia,
embora ele também pudesse ser aperfeiçoado.
Os outros participantes pareciam bastante entusiasmados
com aquilo que escutaram de seus colegas. Ficaram esperançosos
de que, em breve, também fariam suas viagens astrais.
A conversa ficava cada vez mais animada. O ambiente fervilhava
de perguntas, arremessadas em minha direção. Felizmente,
a inspiração deu o ar de sua graça, possibilitando-me
saciar a curiosidade de todos, naturalmente dentro dos meus limites.
Isso era suficiente para produzir injeções de ânimo
e interesse. Contudo, tais atributos não seriam suficientes
para fazer com que sinceros jovens iniciantes se tornassem viajantes
astrais. No caminho à sua meta, apenas entusiasmo, ânimo
e interesse cairiam por terra ao se depararem com o peso das
dificuldades impostas pelas intrincadas armadilhas existentes.
- Um viajante astral enfrenta, entre outras coisas,
a necessidade de aprender a conviver, em equilíbrio, com
uma enorme variedade de realidades que há em cada mundo
dimensional. Em função disso, qualquer descuido
no comportamento que possa acarretar a perda da sobriedade consciencial
poderá gerar uma tremenda confusão existencial,
pois o viajante não conseguirá distinguir plenamente
a realidade do mundo em que se encontra.
- Isso poderá levá-lo a vários
níveis de alienamento mental. É esta a primeira
armadilha dos mundos astrais. Para livrar-se dela, o viajante
terá que se manter o mais sóbrio possível,
mantendo sempre a consciência do lugar em que está.
Nossa reunião havia chegado ao fim. Despedimo-nos
uns dos outros na expectativa de um novo encontro, o qual ainda
não havia sido marcado, porque preferimos deixar acontecer
de forma espontânea.
- O meu trabalho de divulgação tornava-se
cada vez mais intenso.
Os encontros que outrora eram realizados com intervalos
de duas semanas, passaram a ser quase que diários, alcançando
uma grande variedade de platéias.
Minha vida foi ficando super ativa, o que inevitavelmente
me levou a sair da casa de meus pais, em busca de uma maior liberdade
e flexibilidade de horários.
Sentia que o Cosmo conspirava a meu favor pois, sem dificuldade,
encontrei um amigo que emprestou-me um lugar para morar. Era
uma sala onde, além de morar, poderia acomodar confortavelmente
vinte pessoas para eventuais palestras.
- Em pouco tempo, recebi cerca de quinze pessoas para
a primeira palestra. Seus semblantes mostravam um profundo interesse
pelos assuntos apresentados.
A segunda palestra deixou-me impressionado: o número
de participantes havia simplesmente dobrado! Trinta pessoas espremeram-se
no pequeno espaço, algumas delas espalhadas pelo chão.
O desconforto da minha platéia deixou-me incomodado.
Eu teria de encontrar um local maior para as palestras.
- Novamente tive a ajuda das inteligências superiores,
pois um dos participantes dos encontros conseguiu um auditório
de uma escola pública. Todavia, até que este local
nos fosse entregue, mais uma palestra ainda seria ministrada
na pequena sala onde eu residia.
- Sendo que nenhum deles queria ir embora sem escutar
as informações ali passadas, a única solução
encontrada foi espalhar o excedente de pessoas no corredor do
prédio.
- Naquela noite agitada, falei a todos acerca dos contatos
extraterrestres, os quais estavam ao alcance daqueles que se
dispusessem a tal relação interplanetária.
Expliquei-lhes que o maior número de contatos ocorriam
fora do corpo físico, pois ainda não havia chegado
o tempo de contatos físicos em massa com a população
da Terra.
- Também foi falado a respeito da transição
planetária, em que alguns habitantes do mundo físico
são substituídos por outros no mundo astral. Assim
que perdem seus corpos físicos - por meio da morte - eles
são levados para outros planetas. Com isso, nascerá
um novo planeta Terra, com novos parâmetros de civilização
que atingirão todas as manifestações dos
seres humanos.
- Notei que, desta vez, nem todas as pessoas presentes
transmitiam boas intenções. Dentre as cinqüenta,
havia três que pareciam estar ali apenas com o propósito
de tumultuar a reunião. Intrometiam-se desrespeitosamente
nas minhas falas, tentando desvirtuar o significado das informações
que estavam sendo passadas.
- Não foi preciso me manifestar pois, de súbito,
várias pessoas se levantaram em minha defesa. Fiquei encantado
com a elevada educação com a qual uma delas se
dirigiu àqueles que estavam me tripudiando. Esta tão
distinta pessoa transmitia respeito e dignidade em seu semblante
irrefutável. Com autoridade e energia nas palavras, disse:
- - Peço a vocês três, que estão
atrapalhando este jovem em sua explanação, que
não se esqueçam de que viemos aqui para ouvi-lo,
e não a vocês. Se não puderem ficar em silêncio,
façam a gentileza de se retirar.
- Após estas palavras de ordem, um silêncio
um tanto fúnebre tomou conta do ambiente, até que
foi dissipado quando retomei a exposição de idéias.
Finalizei a palestra daquela noite com a complementação
das informações sobre a transmigração
planetária.
- Meu desenvolvimento interior indicava que, a qualquer
momento, uma série de faculdades psíquicas seriam
despertadas por minha identidade extraterrestre. Existiam duas
dentre as habilidades extrasensoriais sobre as quais eu realmente
desejava adquirir o controle: clarividência e clariaudiência.
- Meu pensamento era que, se eu as controlasse plenamente,
poderia manter um contato permanente com os diversos mundos.
Vez ou outra eu conseguia controlar a abertura da visão
clarividente. Era possível enxergar à distância,
podendo ver qualquer pessoa, mesmo que fosse em outro país
ou planeta. Também podia vasculhar as imagens das coisas
que se passaram. No entanto, não conseguia ver claramente
acontecimentos futuros, pois algo bloqueava as visões.
- Entre todas as possibilidades oferecidas pela visão
especial, a que muito me encantava era a de enxergar os mundos
astrais. Mas eu ainda deveria esperar por um tempo indeterminado
para adquirir o controle da clarividência.
- As viagens para os mundos astrais tornavam-se cada
vez mais fascinantes. A cada noite eu aprendia tantas coisas
que, mesmo que quisesse, não conseguiria guardá-las
só para mim, sendo que tornava-se essencial em minha vida
a divulgação da existência de outros mundos.
Eu precisava falar sobre os vários níveis de consciência
advindos dos contatos com outras realidades. Acreditava que,
da mesma forma com que eu transformara a minha vida, também
poderia ajudar outras pessoas a compreenderem um pouco da evolução
na essência da vida, oferecendo a eles instrumentos para
conhecerem os mundos da imortalidade.
- Apesar de trabalhar com afinco na divulgação
através de palestras, continuei ainda a busca da minha
missão no plano físico. Contudo, todos os meus
esforços para encontrar a grande resposta do porquê
de estar aqui quase se tornavam uma obsessão.
- No mundo astral, sempre perguntava a integrantes da
Unidade Prata se sabiam o motivo da minha vinda para o mundo
físico. No entanto, a resposta era sempre a mesma: "Você
ainda tem que esperar algum tempo para que lhe seja revelado
este mistério. Pelo visto, precisará de mais paciência."
Sabendo que a descoberta da missão não dependia
da minha vontade, permaneci por algum tempo cultivando a mais
completa tolerância.
- Tornei-me um pregador de conhecimentos dos outros
mundos, falando abertamente em minhas palestras, realizadas geralmente
em universidades ou escolas.
De palestra em palestra, fui conhecendo uma série
de pessoas, com as quais vivenciei variadas experiências.
Sempre que me deparava com o público dos auditórios,
meus olhos vasculhavam a multidão em busca de pessoas
que trouxessem um sinal em seus semblantes. Procurava aqueles
que tinham a marca da imortalidade. Percebi esta singular peculiaridade
de várias formas.
- Certa noite em que o auditório estava repleto
de pessoas atentas ao tema abordado, fitei os presentes, como
de costume. Examinei suas naturezas, buscando a origem espiritual
de cada um.
- Avistei, ao longe, nas últimas poltronas da
arquibancada, um menino. Não tive qualquer dúvida:
ele trazia em si a marca da imortalidade, que mostrava-se bastante
sutil, quase totalmente camuflada por seu corpo de adolescente.
Sua estatura aparentava uns quatorze ou quinze anos de
idade. A expressão da face mudava vertiginosamente - ora
parecia uma criança, ora apresentava um forte aspecto
de pessoa madura e envelhecida com séculos ou milênios
de experiência nas coisas da vida.
- Olhava-o com especial respeito quando, de repente,
um pensamento vindo das profundezas de minha alma produziu em
mim uma enorme sensação de já conhecê-lo.
Pensei: "Será ele um integrante da Unidade? Talvez
aconteça como Cíntia, que mais tarde descobri ser
Miria".
- A apresentação daquela noite chegou
ao fim e, gradualmente, as pessoas iam embora para seus lares.
Algumas aproximavam-se, a fim de esclarecer dúvidas ou
então elogiar a palestra. O auditório estava quase
vazio. Duas senhoras alegres e sorridentes faziam-me algumas
perguntas, as quais respondi de imediato.
- O próximo a me dirigir a palavra foi o referido
menino. Ele parecia um pouco inibido e, timidamente, algumas
poucas palavras saíram de sua boca:
- Oi! Gostei muito de sua palestra! Você não
imagina o quanto me identifiquei com as coisas que foram ditas,
principalmente a respeito de saída do corpo, e também
contatos extraterrestres!
- O que você acha de aprender um pouco mais sobre
estes assuntos que te agradam? - perguntei.
Ele então respondeu com muito ânimo:
- Podemos começar assim que você quiser!
Pensei por alguns instantes e falei:
- Amanhã está bem para mim, de preferência
na parte da tarde. - Enfiei a mão no bolso e retirei um
pequeno pedaço de papel com meu endereço.
- Combinamos o horário e, antes que nos despedíssemos,
ele disse que se chamava Rafael.
No dia seguinte, a tarde havia chegado e aproximava-se
a hora do encontro com Rafael.
Selecionava cuidadosamente os assuntos sobre os quais
falaria com ele, para que não corresse o risco de revelar
precipitadamente certas coisas a seu respeito, o que poderia
ser desastroso para seu desenvolvimento no campo da imortalidade.
- Rafael comparava-se a uma águia em formação
ainda dentro do ovo, à espera do dia em que seria chocado
por si mesmo, saindo do ovo para crescer e aprender a voar. Meu
pressentimento era de que seu vôo seria tão alto
e veloz que, até mesmo entre as outras águias,
poucas se equiparariam a ele.
- Entretanto, no presente momento, Rafael ainda deveria
aprender a sair do ovo e, no tocante a isto, eu pouco poderia
fazer. Mesmo no intuito de ajudar, eu não deveria forçar
a casca do ovo, pois na verdade isso representaria a causa de
sua ruína. Confabulei comigo mesmo, buscando as soluções
mais sábias para que pudesse interagir com aquela águia
em forma de menino.
- Escutei alguém batendo. Já fazia idéia
de quem era e abri a porta rapidamente. Rafael, sorridente, cumprimentou-me.
Sentamo-nos e começamos a conversar. De início,
pedi a ele que contasse por que se interessava pelos assuntos
expostos por mim na noite anterior.
Rafael meditou por poucos momentos e, com expressão
séria, falou:
- Já faz algum tempo, talvez um ano, que comecei
a passar por experiências incomuns. Eu saía do meu
corpo para um outro mundo não-físico e, por meio
dessas saídas, iniciei contatos com seres de outros planetas.
Esses contatos, em uma fase posterior, aconteceram mesmo sem
que eu estivesse dormindo.
- Perguntei, curioso:
- Então você os viu aqui no plano físico?
Rafael respondeu, elucidativo:
- Não, eles ficam naquele plano que você
chama de astral. Eu os vejo com uma visão não-física,
pois mesmo de olhos fechados eu continuo enxergando. A princípio,
isso foi motivo de muita alegria para mim, porque eu parecia
conhecê-los. Mas, de algum tempo para cá, apareceram
outros, dos quais eu não gosto.
- Você sabe quem são esses outros e o motivo
pelo qual você se sente mal com sua proximidade? - perguntei.
- Sim, eles também são de fora da Terra,
no entanto são maus e querem me pegar. Por várias
vezes já tentaram, e sempre acontece quando eu saio do
corpo. Ainda bem que sou ajudado pelos extraterrestres bons.
Fiquei maravilhado com a semelhança das coisas
que aconteciam tanto comigo quanto com ele. Suas narrações
vinham confirmar minhas intuições e pressentimentos.
Rafael realmente era um estrangeiro recém-chegado de outros
planetas. Restava-me saber a que Unidade ou Comando ele pertencia.-
Você sabe quem você é e de onde você
vem? - indaguei.Ele respondeu com segurança:- Sei que
não sou daqui, da Terra. Porém, não consigo
lembrar quem eu sou ou de onde vim, o que muitas vezes é
motivo de tristeza e melancolia no meu dia-a-dia. Fiquei sabendo
que alguém estava dando palestras sobre saída do
corpo e contatos interplanetários. Interessei-me de imediato,
principalmente na esperança de encontrar uma série
de respostas que pudessem me ajudar a decifrar os mistérios
que envolvem a minha vida há bastante tempo. E foi por
isso que procurei você. Será que pode me ajudar?Muito
alegre, respondi:- Farei o que estiver ao meu alcance. A primeira
recomendação que lhe faço é que tenha
paciência, sem tornar-se ocioso. Procure desenvolver um
ritmo de descobertas que não o tirem da realidade que
está vivendo. Este será o primeiro passo para o
auto-descobrimento. Não pense que eu lhe darei prontas
as respostas acerca do seu passado. Caberá a você
mesmo descobri-las e, neste caso, o tempo é o seu melhor
amigo, pois ele conspira com a vida para que ela coloque importantes
acontecimentos no caminho da sua existência.Por alguns
instantes ele ficou calado. Seu rosto ensimesmado denunciava
a profunda meditação em que submergira sua alma.
Respeitei este silêncio solene, até que sua voz
resignada veio à tona:- A cada dia que passa, percebo
que minha vida vai se transformando, conduzindo-me mais e mais
para o meu destino. Por muitas vezes, senti que algo queria nascer
dentro de mim, mas até agora nada acontecia. Isso faz
com que eu me sinta tão impotente como se estivesse preso
em uma camisa de força. Realmente, preciso aprender a
ter paciência, senão posso acabar enlouquecendo
de tanta ansiedade.Dei um sorriso e falei:- Não se preocupe,
meu caro Rafael! Também já passei por situações
parecidas com a que você está vivendo e posso lhe
assegurar que, mesmo quando as respostas forem encontradas, ainda
não ficará totalmente satisfeito, pois surgirá
um novo mistério para você decifrar. Por isso é
tão importante saber esperar por aquilo que está
acima da nossa vontade.Ele deu um profundo suspiro, dizendo:-
Vejo que você sabe o que se passa comigo. Como consegue?-
Não é difícil, pois está escrito
em sua alma. Basta ler! - respondi.- Você pode me ensinar
a ler o que está escrito na alma?- Não é
uma coisa tão simples, e muito menos possível de
ser ensinada por alguém que não seja a própria
pessoa.Rafael ficou intrigado, a expressão do seu rosto
ficou confusa e, sem que eu pretendesse, li seus pensamentos.
Ele estava questionando como poderia um analfabeto aprender a
ler consigo mesmo. Achava a idéia absurda.Assim que ele
formulou o pensamento, falei de repente:- Não, não
é absurdo. Explicarei mais claramente: os seres humanos,
como todos os outros de toda a Criação, possui
uma essência imortal, que podemos chamar de Eu Superior.
Aquele que entra em contato com seu próprio Eu Superior,
aprenderá, com ele, a ler almas.Rafael, naquele dia, não
compreendeu a profundidade das explicações. O que
o deixou bastante impressionado foi o fato de eu ter lido seu
pensamento. Para mim, isso não representou uma decepção,
pois não se espera que um pássaro possa voar estando
dentro do ovo.Nosso encontro naquele tarde chuvosa de inverno
servira para reforçar em mim a certeza de que tinha acontecido
uma vinda em massa de seres interplanetários, de mundos
mais evoluídos, nascendo em corpos da Terra.Durante a
noite, foi possível descobrir a verdadeira identidade
de Rafael. Projetando-me para fora do corpo físico, segui,
sem dificuldade, o rastro de sua vibração individual.Para
encontrá-lo, preferi teleportar-me para o local em que
ele estava.Surgi dentro de uma nave espacial, cuja cor predominante
era azul celeste. Encontrei Rafael, que mostrava-se aos meus
olhos com um corpo de outro planeta.Aproximei-me dele, cumprimentando-o.
Perguntei a ele qual era sua posição de ação
com os extraterrestres. Telepaticamente, ele respondeu:- Aqui
meu nome é Monadron. Sou comandante de uma equipe tática
da Unidade Azul do Comando Ashtar. Também estamos atuando
na Missão Terra.Meu comunicador tocou. Atendi rapidamente
e fui informado por Sion que eu estava sendo aguardado no Cruzador
para a missão daquela noite.Despedi-me de Rafael.Os fogos
de artifício iluminavam o céu anunciando o limiar
de um ano novo. Ignorando a data festiva, dormia em meu quarto,
quando subitamente fui acordado pelo barulho de um foguete que
parecia ter estourado em minha janela.Levantei-me para verificar.
Era uma aglomeração de pessoas soltando fogos comemorativos.
Fiquei acordado até que, finalmente, o foguetório
acabou.Deitei-me novamente. Suavemente, comecei a sair do corpo,
flutuando uns dois palmos de onde estava. Permaneci por alguns
segundos deleitando-me com o prazer da leveza libertadora do
meu corpo mais sutil.
- Do teto do quarto desceu um raio branco de energia.
Ao ser envolvido por ele, perdi a consciência. Quando dei
por mim, abri meus olhos e vi que me encontrava em uma paisagem
estranha que, de imediato, não reconheci como meu país
natal.
O sol se punha, produzindo no firmamento um dourado crepuscular.
De pé no topo de um pequeno morro, podia avistar ao longe
um declive enfeitado com uma rarefeita plantação
de oliveiras. Suas folhas balançavam ao serem tocadas
por uma suave brisa que dava vida àquele lugar distante.
De onde estava, avistei a certa distância três
torres formando um amplo triângulo. Pensei comigo mesmo:
"O que estou fazendo aqui?"
Uma voz surgiu em minha cabeça. Logo percebi que
era Sion, comunicando-se do Cruzador. Suas primeiras palavras
foram: "Acionei a armadura do implante". Segui imediatamente
sua instrução.
Minha identidade continuava sendo a de Aldomon, com leves
e repentinas influências dos poderes que tinha quando me
chamava Alderan. Desta forma, ou seja, já que estava com
o nível consciencial de Aldomon, o comando da Unidade
Prata automaticamente foi transferido para meu primeiro imediato:
Sion.
Na situação em que me encontrava naquele
momento, precisava receber diretrizes de ação enviadas
do Cruzador.
Logo após ativar a armadura, pude ouvir em meu
capacete os planos do que eu estava fazendo ali. Parte da informação
veio por via auditiva e o restante por fluxo mental - uma espécie
de transferência de dados em blocos de memória que
levam em si enorme quantidade de informações.
- Eu havia sido transportado no tempo. Viajara quase
dois mil anos para o passado, e estava em uma cidadezinha próxima
a Jerusalém.
Minha missão ali era escutar um sacerdote que teria
um relevante papel junto à disseminação
do Cristianismo recém-nascido. No entanto, ele ainda pertencia
a um conselho sacerdotal de um importante templo de Jerusalém,
formado por devotos da religião de Moisés.
- Restrita aos parâmetros antigos de Moisés,
esta casta sacerdotal combatia violentamente as idéias
revolucionárias e inovadoras do pregador Jesus, a quem
muitos chamavam de enviado de Deus.
- A tarefa que eu deveria realizar junto ao sacerdote
escolhido era a de protegê-lo de uma falange de seres sombrios
enquanto participasse, fora do seu corpo físico, de um
debate no mundo astral, ao qual Jesus iria comparecer.
Parti rumo à cidadela onde era localizada a sinagoga
do sacerdote. Para não chamar a atenção
dos habitantes astrais daquele tempo, vesti um manto por cima
da armadura e retirei o capacete podendo, assim, transitar discretamente
pela cidade.
- Na penumbra do cair da noite, pude avistar o prédio
da sinagoga, que ficava em uma ruela tortuosa, próximo
a algo que se assemelhava a uma praça. Aproximei-me da
fachada esbranquiçada daquela ampla construção
e, contornando-a, fui em direção aos fundos, onde
sabia ser a casa do sacerdote.
- Ao adentrá-la através da parede, tive
diante dos meus olhos um ambiente rústico, porém
um tanto suntuoso. Ao vasculhar a casa, encontrei a quem procurava.
- Ele estava sentado ao centro de uma pesada mesa, de
vultuosa madeira avermelhada. Tratava-se de um homem de perfil
sério e respeitável, revirando as páginas
de um massudo livro, de papel bastante envelhecido pelo tempo.
- Franzindo a testa, procurava algo por entre as páginas
manuscritas, com seu olhar atento e compenetrado. Porém,
pela sua angústia, parecia não encontrar aquilo
que buscava tão insistentemente naquelas folhas amareladas.
- Sobre a mesa, uma taça e um jarro de metal
polido dividiam o espaço com as lamparinas de chamas esvoaçantes.
Aquele homem robusto, com cerca de cinqüenta anos de idade,
possuía um ar de autoridade adquirida ao longo dos anos.
Talvez eu tenha tido esta impressão pelo aspecto singular
de sua aparência.
- Tomava alguns goles de vinho e, de tempos em tempos,
voltava a encher a taça com o conteúdo do jarro
metálico. O sacerdote não notava minha presença,
sendo que ele se encontrava no mundo físico e eu no astral.
- O tempo da minha tarefa estava se esvaindo. Eu precisava
tirá-lo do seu corpo o mais rápido possível,
entretanto ele não mostrava quaisquer sinas de sono naquele
momento.
- Tive, então, uma idéia: entrei em contato
com o Cruzador e pedi que me enviassem um sonífero. Instantaneamente
um frasco surgiu em minha mão. Destampei o recipiente
e derramei o sonífero na taça de vinho.
- O resultado foi rápido. Após um gole
de vinho, o homem não resistiu à sonolência
e dormiu, debruçando-se por sobre a mesa.
Em breves instantes, puxei-o para a dimensão em
que eu estava. No início, ele ficou um pouco exaltado
e confuso por ter sido tirado para fora de seu corpo, ainda mais
por um estranho. Mas, sem dificuldades, ele compreendeu que eu
não queria lhe fazer mal algum.
Expliquei a ele a importância de sua presença
no debate de Jesus. Como há certo tempo o sacerdote mostrava
ser um simpatizante dos conceitos pregados pelo jovem galileu,
aceitou o convite sem objeções.
Levá-lo até o local do evento seria um tanto
trabalhoso, pois entidades sombrias anti-Crísticas souberam
que aquele homem desempenharia importante papel junto ao Cristianismo.
Tentariam, desta forma, fazer tudo que estivesse a seu alcance
para impedir o seu encontro com o grande Mestre, nos preparativos
para uma nova fase religiosa no planeta.
- Porém, acima de qualquer coisa, eu estava seguro
de que cumpriria minha missão. Pensava comigo mesmo: "Por
Deus, eu o levarei a salvo ao encontro do Mestre."
Partimos em direção às três
torres, onde aconteceria o debate. Cinco quilômetros nos
separavam delas. Se fôssemos de nave, em poucos segundos
estaríamos lá. Entretanto, a tarefa que me fora
entregue consistia em um teste, no qual eu deveria enfrentar
certas limitações e, mesmo assim, cumprir o que
fora determinado.
Pegamos uma trilha que nos levaria ao nosso destino. Caminhamos
a passos rápidos.
No mundo astral daquela dimensão também
era noite. Para evitar que chamássemos atenção
dos seres que habitavam aquele ambiente, não foi usada
qualquer forma de luz para iluminar o caminho. Fiz aparecer uns
óculos próprios para enxergar no escuro.
Comunicava-me com o sacerdote por meio de telepatia, visto
que eu não sabia expressar-me verbalmente em aramaico.
Pedi a ele que colocasse os óculos. O homem da antigüidade
ficou fascinado com a tecnologia moderna que o possibilitou ver
naquele breu quase total.
- Coloquei meu capacete prateado, cobrindo-o com o capuz
do manto cor-de-terra. Alertei meu protegido de que talvez houvesse
luta, mas que ele não se preocupasse, pois eu estava ali
para garantir-lhe a segurança. Inseguro, ele falou:
- E se forem muitos, o que vai fazer? Você é
apenas um homem!
- Tenha fé, homem! No futuro precisará de
muita coragem em sua missão! falei com firmeza e bom-humor.
Ele foi tomado por um silêncio inquebrantável,
e assim permaneceu durante o primeiro quilômetro de caminhada.
Escutamos um barulho alto de revoada e, simultaneamente,
olhamos para cima. O sacerdote ficou muito receoso. O barulho
que ouvíramos partia das asas de um bando de seres das
sombras que, ao descobrirem a identidade de quem eu escoltava,
por tudo quiseram capturá-lo. Num vôo rasante, suas
garras pontiagudas pretendiam transformar meu protegido numa
valiosa presa.
- Desceram sobre nós com toda velocidade, mas
uma inesperada surpresa já os aguardava: ao descerem até
uns quatro metros de nós, levaram um impacto tão
estrondoso que pareciam ter batido em uma parede rochosa. Isso
aconteceu porque, assim que registrei sua aproximação,
ativei um escudo eletromagnético à nossa volta.
Pelo fato do escudo ser quase totalmente transparente, os seres
sombrios não o viram.
De um compartimento na armadura, retirei uma pistola laser
e, com tiros certeiros, abati o restante dos seres que nos atacavam.
Falei ao sacerdote que o levaria em meus braços,
para que pudéssemos ser mais rápidos. A coisa poderia
ficar mais feia ainda, já que as sombras descobriram que
ele estava indo encontrar-se com o grande Mestre.
- Segurei o homem em meus braços e saí
correndo, quase tão veloz quanto um relâmpago. Em
poucos segundos estava prestes a entrar no perímetro de
segurança das torres quando, de repente, saiu de dentro
do chão um imenso dragão. Desta vez quem levou
um grande impacto fui eu.
- Caí de um lado e o sacerdote do outro. Nenhum
de nós saiu machucado com a trombada. Meu protegido ficou
apenas um pouco assustado com o tamanho da criatura.
- Num reflexo automático, puxei a pistola e dei
vários tiros no dragão. Contudo, os raios não
conseguiam derrubá-lo, apenas o deixando cada vez mais
irritado. Foi neste momento que ele rompeu meu escudo.
- Fui violentamente agarrado pela boca do dragão,
o qual tentou, com toda sua força, cravar seus dentes
em mim. Embora minha armadura fosse praticamente impenetrável,
senti que havia perdido o controle da situação.
Com uma espada toda feita de diamante, cujo punho veio por entre
meus dedos. Segurei-a com firmeza e senti o seu poder.
- Ela soltou uma tremenda descarga elétrica e
o dragão caiu no chão tonto e desnorteado, deixando
que eu escapulisse. Sem dar-lhe tempo para reagir, dilacerei-o
com a espada, restando apenas seus fragmentos no chão.
Como eu não precisasse mais dela, a espada desintegrou-se.
O sacerdote ficou estupefato com a luta titânica
mas, com algumas palavras de serenidade, pude tranqüilizá-lo
e conduzi-lo.
Finalmente chegamos ao pé de uma das torres.
Fiz aparecer um manto branco, o qual veio teleportado
do Cruzador. Tirei meu capacete e vesti o manto. Fomos teleportados
para o interior da torre, aparecendo em seu topo.
Era uma ampla sala, cujo núcleo era preenchido
com uma larga pirâmide de pedra polida, levemente esverdeada.
Sua altura era de aproximadamente um metro. À sua volta
já se encontravam dez pessoas.
- Jesus, o personificador do Cristo Cósmico na
Terra, lá estava, a fim de dar explicações
a respeito de sua boa nova aos sacerdotes da antiga religião
fundada por Moisés.
Cada pessoa ali presente teria o direito de fazer uma
pergunta a Jesus, contanto que esperasse sua vez. Um homem de
voz solene anunciava cada pessoa que fosse dirigir a palavra
ao grande Mestre. Após um dos sacerdotes ter recebido
sua resposta, o direito de pergunta era passado para outra pessoa.
Tomei um choque ao escutar em minha mente as seguintes
palavras:
- Agora, o estrangeiro Aldomon dirigirá a palavra
ao homem Jesus!
- Fiquei por alguns instantes sem conseguir falar. Pensava
que estar ali era uma honra que eu não merecia. No entanto
eu estava mesmo ali, diante do grande Mestre, a quem eu poderia
perguntar algo que há bastante tempo foi, para mim, motivo
de dúvida: o porquê dele ter sido sacrificado. Formulei
a pergunta com extremo respeito e reverência.
- Mestre, tu bem sabes o destino que te aguarda aqui entre
os homens e tens o poder de mudá-lo. Por que escolheste
perecer?
O grande homem de olhos infinitamente penetrantes e de
suavidade incomum trazia em seu rosto levemente bronzeado a expressão
de total segurança e inabalável serenidade. Seu
olhar de beatitude dava a impressão de estar envolvido
em permanente êxtase. Uma luminosidade dourada e translúcida
envolvia o topo de sua cabeça. Jesus irradiava um brilho
intenso.
Ele havia entendido minha pergunta, pois parecia perceber
que eu vinha do futuro. Sua voz ecoou no amplo recinto:
- Vim trazer uma mensagem aos homens: a da existência
do amor incondicional juntamente com a justiça de Deus.
Trouxe em mim a manifestação do Cristo. Porém,
para que eu sobreviva imortalizado nos tempos, terei que perecer
nas mãos da maldade dos homens. Com isso, minha mensagem
e minha vida não serão esquecidas perdendo-se no
tempo.
Assim que ele concluiu a resposta, inclinei a cabeça
em sinal de reverência e parti em seguida.
Teleportei-me para fora da torre, vindo surgir em uma
praça nas proximidades de Jerusalém.
Meditava sobre o encontro que tivera com o grande Iluminado.
O propósito dele foi atingido, pois sua mensagem assim
como sua vida sobreviveram através dos tempos e provavelmente
tornar-se-ão imortais na civilização humana.
- Na praça em que apareci, uma nave do Cruzador
me aguardava. Em poucos segundos, já estava a bordo do
pequeno aparelho triangular.
Pelo monitor visual, vi cinco naves. Elas estavam no mundo
astral do Século XX. Decolei e saí da atmosfera,
ativando um túnel interdimensional no espaço, através
do qual viajei de volta ao presente.
Ao sair do outro lado do túnel espiralado, fui
acompanhado pelas naves que estavam à minha espera e seguimos
para o Cruzador.
Despertei no corpo físico. Rapidamente levantei
da cama e comecei a buscar em minha memória cada detalhe
da aventura fora do corpo. Impressionava-me o fato de poder fazer
tantas coisas em apenas uma noite. Está é a grande
vantagem de se viver em vários mundos, pois podemos evoluir
de forma muito mais rápida.
CONTINUA...
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