UNIDADE
PRATA PARTE -6-  |
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© Aldomon SVCA 1996.
- Levantamo-nos do sofá e fomos para o jardim.
Iara se deleitou envolvida pela fragrância sedutora do
perfume das flores, andamos por entre os pés de roseiras,
contemplando a linda variedade de rosas cujas pétalas
ainda estavam molhadas de orvalho.
Afastei-me um pouco, e de certa distância assisti
a um deslumbrante espetáculo de feminilidade: aquela bela
mulher de cabelos esvoaçantes banhava o seu corpo
com pétalas cor-de-rosa. Seu semblante parecia estar
imerso em um êxtase delirante. As pétalas transformaram-se
em sedoso vestido levemente transparente, ela parecia a própria
deusa Vênus em pessoa. Seu corpo flutuou com suavidade
por sobre o roseiral, uma brisa alegre fez seu vestido
dançar sinuosamente.
Os olhos dela buscaram os meus, que sem dificuldade foram
encontrados. Como se fosse uma fada, ela flutuou em minha direção,
seus pés delicados desceram ao solo, tocando carinhosamente
a relva orvalhada: fui agraciado com seu abraço, senti
em todo meu corpo a irradiação do seu amor.
Voltamos para a nave, o brilho do sol reluzia em suas laterais.
Decolei com rapidez falando para minha companheira de viagem
que a levaria para conhecer pessoalmente minha vida no
mundo físico. Estacionei a espaçonave próximo
à minha moradia. Passamos através da parede do
meu quarto, mostrei-lhe meu corpo deitado na cama e falei
um pouco apressado:
- A nave funciona com controle automático, caso
você não queira pilotar. Infelizmente tenho que
voltar agora para meu corpo.
-Até mais ver ! -Falei apressadamente.
Abri meus olhos e pensei: "- É... novamente
no mundo físico!" Respirei fundo e levantei-me da
cama. Abrindo a janela, vi que estava um bonito dia de verão,
o clima estava convidativo para uma caminhada no
parque.
Andando por entre pinheiros gigantes,
pisava em um imenso tapete de folhas finas, que faziam com que
o chão se tornasse macio. Após longa caminhada,
sentei-me à sombra de algumas árvores, e comecei
a meditar: passava por mim os caminhos do destino,
mas eu bem sabia que só poderia escolher um de cada vez;
embora possuísse algumas habilidades extra-sensoriais,
isto não me facilitava a escolha do rumo que eu deveria
seguir para encontrar minha missão.
As lembranças do contato que tivera
com as pessoas de minhas palestras, bem como as dos cursos,
continuavam vivas em minha memória, e nestas reminiscências
tentava decifrar algumas respostas que talvez pudessem
facilitar minha escolha.
Sem que eu me desse conta, meus pensamentos
foram conduzidos para Iara, senti sua presença perto
de mim e, como se a estivesse vendo à minha frente,
pronunciei carinhosamente o seu nome.
Tinha certeza de que ela estava ali.
Concentrei minha visão para tentar abrir minha clarividência.
Enfoquei um ponto fixo no espaço vazio, e eis que surgiu
no centro da minha visão um ponto brilhante:
ele era azul e vermelho fluorescente, as cores
mexiam-se entre si e, de súbito, produziram
uma pequena fresta dourada luminosa.
Sabia que esta pequena abertura podia ampliar-se
abrindo um portal que possibilitaria enxergar outras dimensões,
e assim eu poderia ver Iara. Por mais que concentrasse, não
conseguia energia suficiente para abrir o portal.
Após tentar por uns dez minutos,
tive que desistir, pois fiquei muito cansado energeticamente.
Suspirei de lamento, por ainda não ter
o domínio total desta habilidade tão
importante. Vez ou outra conseguia abri-la, porém
na maioria das tentativas acabava frustrado por não
conseguir.
Fiquei olhando para o chão um pouco
triste por não ver minha amada Iara. Depois de conformado,
regressei à minha casa, na ansiedade do cair
da noite.
Através do sono viajei para o
mundo astral. Surgi em um campo de batalha: de um lado
o exército positivo e do outro, o negativo. Corri
em volta de lançadores de mísseis,
tão grandes que mais pareciam foguetes espaciais.
Ao longe, os estrondos das explosões. Uma intensa agitação
da correria dos soldados, que mudavam permanentemente de posição.
De repente uma bomba atinge minhas pernas.
Com a explosão fui parar longe - felizmente minha armadura
protegeu totalmente o meu corpo, com sua blindagem.
Levantei-me como que num reflexo, olhei para
o céu e vi uma esquadrilha de naves. Ativei meu
comunicador na freqüência em que elas estavam operando,
e então identifiquei-me:
- Aqui é Alderan, da Unidade
Prata. Vocês aí em cima, estão precisando
de ajuda ?
- Afirmativo, toda ajuda será bem-vinda!
Estamos sofrendo um ataque maciço das
forças dos dragões; se eles atravessarem
esta barreira, colocarão em risco nossa base avançada
do Quadrante 7. Nesta base estão centenas
de crianças em processo de viagem astral.
- A ajuda será enviada
imediatamente! - Afirmei com segurança.
Comuniquei-me com o Cruzador:
- Sion, alerta de emergência no
Quadrante 7 da quinta dimensão! Enviar equipe tática
1 para combate aéreo, sob seu comando!
- Entendido, logo estaremos no campo.
- Respondeu Sion.
Entrei em contato com Iara e pedi-lhe
que viesse com uma de suas equipes, a fim de recolher as
crianças que estavam na base. Esta seria uma boa
oportunidade de já iniciar o treinamento de
sua Unidade.
Ativei no implante cibernético
uma armadura batalhóide, que trazia em
si imenso potencial de demolição. Tal poderio
bélico teria de ser empregado para fazer o
máximo visando garantir a segurança.
Sobrevoei o campo de batalha e desci na
cobertura de um dos prédios que compunham
o complexo da base. Percorri rapidamente as escadas, passando
por várias salas e alertando as monitoras
das crianças: todos os prédios
teriam que ser imediatamente desocupados, pois era iminente
o ataque das legiões sombrias.
Nos pátios dos prédios,
algumas naves comandadas por Iara estavam
prestes a pousar.
Os caças do Cruzador sobrevoavam
o céu, abatendo as aeronaves inimigas, e também
atingiam alguns tanques que estavam tentando abrir caminho em
direção à base.
No visor do meu capacete surgiram imagens
aéreas do campo de batalha. Algo inesperado começou
a acontecer: de dentro do solo começaram
a sair máquinas blindadas gigantescas. Pareciam centopéias
de metal, pois tinham em suas costas centenas
de largos canhões. Elas eram tantas que nossas centenas
de naves não estavam conseguido detê-las.
Novamente entrei em contato com o Cruzador:
- Poderon, teleporte-se com toda equipe de
infantaria para cá imediatamente.
Em uma fração de minuto,
mais de mil soldados cercaram a base, e armados de canhoneiras
laser entraram na batalha. Por algum tempo também
participei do confronto bélico. Da minha armadura,
que mostrava proporções agigantadas, abriam-se
compartimentos em várias partes, e deles saíam
mísseis. Quando, por fim, minha carga de energia estava
quase se acabando, desativei a armadura batalhóide, e
fiquei apenas com a protetora.
Teleportei-me para um pátio da
base. Lá chegando, encontrei apenas duas naves da Unidade
Canéra, que acabavam de recolher as últimas crianças.
Ao aproximar-me de uma delas, avistei Iara
em uma das janelas.
- Encontro-a depois, lá no Cruzador!
- Falei com certa pressa.
Ela concordou e, em seguida, partiu.
Um caça pousou logo à minha
frente. Velozmente entrei em seu interior e decolei para
novamente entrar em combate. Restavam apenas
poucas centopéias de metal, que logo foram
destruídas.
Os soldados da infantaria começaram
a recolher os integrantes dos exércitos inimigos.
Os caças regressaram ao Cruzador e no céu
restavam apenas algumas poucas naves recolhedoras.
Todos os prisioneiros foram levados
para uma imensa nave-prisão, que se encontrava
fora da atmosfera Terrestre.
Já de volta a Triton, recarreguei
o meu implante eletrônico na câmara de energia. Após
concluir a energização, entrei em contato
com Iara, convidado-a para sairmos juntos.
Desta vez, fui eu quem foi em
seu cruzador. Assim que cheguei, fui calorosamente recebido
por ela e conheci algumas de suas comandantes de
equipe.
Iara olhou para mim com ar de
mistério.
- Alderan, tenho algo para mostrar-lhe antes
de sairmos. -Falou confidencialmente.
- Estou à sua disposição!
Acompanhei-a por alguns corredores quando,
de repente, entramos em um grande salão,
que tinha seu interior lotado de câmaras
de animação suspensa. Em uma destas câmaras
de cristal avistei a replica de Iara.
Pensei comigo mesmo : "- Ela também
deve estar fazendo uma viagem astral."
- Sim, Alderan, você está
certo. Entretanto, não é apenas por
um período correspondente a uma noite terrestre,
e sim o tempo de três meses.
"Então e neste prazo
que ela vai embora." - Pensei comigo mesmo.
Decolamos com destino ao planeta azul. Desta
vez a levaria a outro lugar especial.
Descemos nas areias de um deserto do
oriente. Ali eu havia construído um pequeno castelo no
estilo árabe, que geralmente utilizava para meditação.
Transpusemos um salão, cujo chão estava forrado
com uma grande variedade de tapetes. Existiam
pedestais espalhados em várias partes, trazendo
em si vasos e esculturas que enfeitavam o ambiente, juntamente
com os quadros de vitrais.
Convidei-a para seguir-me até
os fundos da construção, onde eu havia feito
um oásis artificial.
A noite era de Lua cheia. Sua luminosidade
produzia uma claridade prateada na areia. Sentamo-nos
em um banco de mármore. De onde estávamos
podiam ser vistos múltiplos brilhos na água
do laguinho que, por sua serenidade, se transformara em espelho.
Olhei profundamente nos olhos de Iara, e com
tranqüilidade comecei a falar:
- Veja bem este deserto: apesar do clima árido,
aqui vivem seres que por muitas vezes impõem sua vontade
de continuar existindo e renascem como que de suas
próprias cinzas. A humanidade Terrestre, de certa
forma, vai assemelhar-se à natureza do deserto,
pois um novo mundo está prestes a surgir, fazendo
com que o velho venha a extinguir-se.
A curiosidade transpareceu no rosto de Iara:
- Quando a Unidade Prata concluirá
sua missão aqui na Terra?
- Somente após a retirada de
todos os seres negativos que ainda existem no Planeta.
Naquele lugar paradisíaco conversamos
por alguns minutos, até que nossas responsabilidades nos
chamaram ao dever. Ela partiu para seu cruzador, eu lá
permaneci por um breve tempo, até que fui puxado para
meu corpo do mundo físico.
Levantei-me ao raiar do dia, que por sinal
seria longo.
O carro corria pelo asfalto. Éramos
quatro em seu interior, e os assuntos de maior interesse,
durante toda a viagem, sempre diziam respeito a experiências
transcendentais. Por fim, avistamos as montanhas de uma
linda chapada, que se localizava em uma reserva nacional.
Nós nos instalaríamos em uma
pequenina cidade cravada em um berço de montanhas. Eu
já havia visitado aquela região algumas vezes,
mas sempre me encantava com a magia e beleza dos vales.
Como me agradava toda aquela tranqüilidade.
Ainda mais pelo fato de que sempre preferi viver em locais
de retiro.
De repente avistamos a entrada da cidade.
Busquei na minha memória os rostos dos meus amigos
e conhecidos que ali viviam e que, ao visitá-los,
tão bem me recebiam.
O Sol centralizava-se no firmamento,
denunciando o meio-dia. Unanimemente preferimos ir em
busca de um restaurante e almoçar antes de fazermos qualquer
outra coisa.
Enquanto nossa mesa não era servida,
começamos a traçar o percurso que faríamos.
Primeiramente visitaríamos a casa de um amigo comum,
que era muito querido por todos; depois iríamos
a uma mina de cristal, que ficava no alto de uma
pequena montanha; dai em diante faríamos o
que nos parecesse mais aprazível.
O pedido foi servido e, entre
uma garfada e outra, surgiu o assunto dos vários
tipos de alimentação. Uma de nossas
companheiras de viagem fez uma pergunta com
expressivo grau de interesse:
- Aldomon, já faz algum
tempo que parei de alimentar-me com qualquer
tipo de carne animal, pôis começou misteriosamente
a acontecer uma coisa muito estranha: toda vez que
eu comia carne, começava a sentir um mal-estar insuportável,
o que inevitavelmente me fez abandonar tal hábito
alimentar. Poderia explicar o motivo de tão
incômoda sensação?
Dei um sorriso, pois lembrei-me
naquele instante da desintoxicação
a que fui submetido no passado. Com bom-humor, revivi na minha
memória a Sena do baita choque que levei
dos aparelhos:
- A carne animal traz em si cargas de
energia psico-emocionais que foram programadas por instintos
animalizados. Por isto, se o ser humano ingerir a
energia emocional que vem junto com a carne, transferirá
para si própria as características instintivas
peculiares do animal ao qual ela pertencia. Há
entre os seres humanos aqueles cujos corpos estão
passando por uma sutilização energética,
e isto faz naturalmente com que as pessoas fiquem até
doentes com a energia da carne. Pode ser este
o seu caso.
Saímos do restaurante e passamos
na casa do nosso caro amigo. Ele e sua mulher
nos atenderam com atenção e hospitalidade.
Notamos que eles pareciam estar bastante atarefados,
conversamos por breves momentos e então
despedimo-nos.
A poucos quilômetros da cidade,
deixamos o carro na auto-estrada e pegamos uma trilha cercada
de vegetação rasteira, localizada onde parecia
já ter sido algum dia um pasto.
Andávamos pelo estreito caminho.
O céu azul celeste só estava sendo
maculado por algumas poucas nuvens branquinhas
e rarefeitas. A altitude em que estávamos era tamanha
que as nuvens pareciam quase tocar o
chão. O vento suave aumentava ainda mais a
sensação de liberdade, o Sol estava um
pouco forte, mas não o suficiente para incomodar.
A caminhada seguia lenta e absorta,
raramente se ouvia alguém falar, todos pareciam
estar envolvidos pelo fascínio da observação
daquela paisagem montanhosa. Éramos interrompidos
vez ou outra por alguns mosquitos inconvenientes que pareciam
não gostar de visitantes, pois se esforçavam
para deixar suas marcas em nós, talvez para que
não esquecêssemos o repelente da próxima
vez .
A vegetação à nossa
frente foi tornando-se cada vez mais bela, passamos pelo
alto de um platô cujo chão estava forrado
por um tapete de capim fino repleto de flores delicadas:
amarelas, brancas e lilases. Elas dançavam ao sabor do
vento, que soprava sem cessar.
Subimos e descemos morros e cristais
começaram a ser vistos pelo caminho: eram pedrinhas
de um encanto peculiar, com vários tipos de lapidação,
que a própria natureza encarregara-se de fazer.
Por fim, chegamos à mina no alto da
montanha. Sentei-me em um barranco e fiquei observando a colheita
de cristal. Fechei os olhos e concentrei-me na absorção
da energia vital que o Sol havia imantado naquelas pedras.
Após poucos minutos, fiquei plenamente
carregado. Então, parei rapidamente a absorção,
para não ficar com sobrecarga.
O clima foi ficando muito quente,
e tivemos que voltar à cidade para evitarmos uma
possível insolação. Antes do cair
da noite, hospedamo-nos em um hotel.
O céu encheu-se de estrelas
e não tardou muito para eu viajar ao
mundo astral: uma nave do Cruzador já
me aguardava a pouca distância da janela do
quarto, subi a bordo e voei rumo a Triton. Lá, eu seria
submetido a mais uma cirurgia. Desta vez mexeriam no
meu cérebro para implantar um aparelho, o qual teria
importante função em minhas viagens interdimensionais,
pois tal mecanismo iria aumentar vertiginosamente o tempo
de duração de minhas saídas.
Como de costume, fiz a aproximação
com uma das rampas de pouso e, em breves instantes, já
estava a bordo. Teleportei-me para a sala de implantes
para que fosse feita, o mais rápido possível,
a colocação do aparelho.
Deitei-me em uma fria mesa metálica,
vi à minha volta o rosto dos técnicos
que efetuariam o implante. Um deles segurou
um recipiente com um líquido esbranquiçado.
Ao abri-lo, nele foi submergida uma pinça, e lá
de dentro surgiu uma pedra que se assemelhava a um
diamante semi-esférico, com incontáveis facetas
lapidadas em sua superfície, e que produziam
reflexos diamantinos.
Senti como se o topo da minha
cabeça fosse aberto, porém sem qualquer dor. Por
algum tempo fiquei vendo clarões coloridos,
até que foi concluída a operação.
Levantei-me da mesa e subitamente comecei
a perceber que o meu grau de lucidez tinha sido aumentado
conscideravelmente: senti que não precisava mais
fazer esforço de concentração
para transferir a memória para o corpo material.
Teleportei-me para a ponte de controle, a
fim de preparar a execução de uma missão
que necessitava o máximo de urgência.
- Sion, ativar Equipe Prata Líder.
Os dados da missão estão no computador central.
Estou indo para a rampa de decolagem das naves de combate.
- Entendido, Alderan. Estaremos lá
o mais breve possível.
Fui comunicado, pelos rastreadores da Unidade,
de que foi registrada a abertura de um portal dimensional no
Quadrante 104 da quarta dimensão astral e de que alguns
seres das sombras saíram do portal e invadiram um
setor de segurança. Tínhamos que agir rápido
para que os seres negativos não causassem danos
para as cidades daquela região.
Na rampa de decolagem, eu escolhia equipamentos
que seriam utilizados na ação. Dezenas de
andróides ajudavam-me a transportar para as naves os aparelhos
que iam sendo escolhidos, entre os quais motos magnéticas
e armamentos de vários tipos. De repente a Equipe Líder
surgiu diante de mim.
- Sion, Miria, Solron e Drilha, vocês
ficarão nos dando apoio aéreo com as
naves de combate . Todos os outros irão por terra
nas motos magnéticas.
Decolamos velozmente em direção
à superfície terrestre. Ao passarmos
entre as nuvens, nossas naves fizeram uma transição
dimensional e materializaram-se na quarta dimensão
astral. Sobrevoamos os edifícios de uma grande cidade.
Os sensores vibracionais registraram a localização
das entidades negativas: no monitor visual foram surgindo
pontinhos vermelhos, em número um pouco acima de uma centena.
As naves passaram logo acima de alguns prédios que estavam
em volta de uma larga avenida. Subi em uma moto magnética.
Foi aberta uma porta na parte inferior
da nave, inclinei meu corpo um pouco para a frente, liguei
o aparelho e saí pela abertura da nave de combate.
Pairei pela avenida que estava cheia de carros
astrais. Logo fui cercado por meus companheiros de equipe. Uria
estava do meu lado direito. Ao vê-la, falei rapidamente:
- Fique atenta, pois precisarei de suas
habilidades de magia.
Ela inclinou levemente sua cabeça,
coberta pelo capacete, indicando que havia entendido. Do
meu lado esquerdo estavam Poderon e Calia.
- Preparem-se todos para o combate: exército
inimigo à frente, acionar invisibilidade. - Orientei-os.
Nós teríamos que teleportá-los
para as naves-prisões, mas isto não seria coisa
tão simples, pois antes teríamos que apanhá-los.
Fizemos a aproximação e avistamos
as tropas sombrias. Eles estavam em veículos blindados.
Sem demora, sobrevoamo-los e com precisão abatemos, com
mísseis, todos os tanques. Alguns soldados, ao verem que
estavam sendo atacados por seres invisíveis, começaram
a dar tiros de canhoneiras a esmo. Estas armas
eram portáteis e delas saíam chuvas
de setas metálicas.
Passava pelas proximidades uma pequena
multidão de civis, que pareciam não
perceber o que se estava passando naquela avenida. As setas poderiam
atingi-los e causar sérios danos a seus corpos
astrais.
Uria então usou magia para evitar o
dano iminente. Mesmo estando em cima da moto, ela elevou
suas mãos um pouco acima de sua cabeça e
de seus dedos semi-abertos saiu uma onda de energia azulada que,
ao atingir a chuva de setas, transformou-as todas em bonitas
flores.
As naves, em vôos rasantes, destruíram
totalmente, com seus raios laser, os tanques que estavam
apenas danificados.
Os integrantes das tropas invasoras ficaram
sob controle. Pouquíssimos permaneceram de pé,
a maioria teve seus primeiros corpos desmaterializados. Isto
fez com que suas consciências fossem transferidas
para seus segundos corpos astrais, os quais foram enviados
para uma dimensão bem mais sutil, onde já estavam
sendo aguardados por outra equipe da Unidade. Os
soldados restantes foram paralisados, as naves recolhedoras surgiram
no céu e banharam a avenida com seus raios
de teleportação, levando a bordo os seres imobilizados.
Eu e parte da Equipe Líder permanecemos por algum tempo
no local do combate, rastreamos minuciosamente
as proximidades para nos certificarmos de que nem
um invasor havia escapado.
Nossas motos alçaram vôo
em direção às naves de combate que
estavam a uns trezentos metros do solo. Entramos
pelos mesmos compartimentos dos quais outrora saímos.
Sentei-me em uma das poltronas do controle,
comuniquei-me imediatamente com as outras naves informando-as
da nossa partida com destino à grande nave-prisão,
que estava estacionada entre a Terra e a Lua. Fizemos
um cerco em volta das naves recolhedoras para sua escolta pois,
a qualquer momento, poderiam ser atacadas por naves de alguma
força-tarefa negativa, com a intenção de
resgatar os prisioneiros.
Estávamos em alta velocidade. Não
mais do que poucos instantes e nos encontramos diante da prisão
voadora: ela era uma imensidão de metal esférico,
que tinha à sua volta um fortíssimo escudo de defesa.
Dali ainda não se teve notícia de que alguém
já tenha conseguido fugir.
Fizemos contato, alertado sobre nossa entrada.
O escudo jamais era desligado, todas as naves que saíam
ou entravam tinham um dispositivo próprio que as sintonizavam
com o campo protetor do escudo.
Assim que minha nave entrou
no hangar de pouso, tive repentinas lembranças
dos incalculáveis seres que já foram aprisionadas
pela Unidade Prata e das inúmeras ameaças que
foram dirigidas especialmente a mim, vindas de entidades de grande
poder negativo. Com bom humor pensava comigo mesmo: "-É,
estando eu com um corpo físico da Terra, desejo nunca
ter um encontro surpresa com algum destes seres em um beco
escuro, a não ser que eu esteja devidamente equipado
com armadura e armas potentes pois, se assim não for,
era uma vez um guerreiro dos mundos."
As naves tocaram o chão da rampa
de pouso. Abri a porta e desci flutuando até tocar
o piso de metal. Afastei-me um pouco das naves e fiquei observando
o transporte dos seres paralisados: eles foram magneticamente
ligados uns aos outros, estavam flutuando a um metro e meio do
chão e eram conduzidos por alguns andróides.
Por fim, foram todos levados para as câmaras
de triagem mental, onde seriam identificadas suas freqüências
vibracionais.
Com isto se determinaria se alguns voltariam
para o planeta ou se ficariam na prisão para
posteriormente serem levados para planetas que oferecessem um
nível de evolução similar a suas vibrações.
Apesar de não ter feito uma análise
detalhada da evolução dos prisioneiros recém-chegados,
a minha experiência já me dava a certeza de que
todos seriam levados para fora do planeta Terra, até que
evoluíssem suficientemente para poderem regressar a este
planeta, ou até mesmo terem acesso a outros bem
mais evoluídos.
Teleportei-me para o centro do comando,
onde me encontrei com o comandante da prisão espacial.
Após as saudações, pusemo-nos a conversar:
- Clabaque, fiquei sabendo que a cota de prisioneiros
está quase completa. Sei que isto significa que partirão
em pouco tempo para outros planetas, para descarregarem
e novamente regressarem para cá. Se desejar, uma
das equipes da Unidade Prata poderá escoltá-los
durante toda a operação.
Por sua expressão pude perceber
que aceitara minha proposta.
De volta à rampa de decolagem, subi
a bordo da nave. Então, a esquadrilha partiu de
volta ao Cruzador.
Fiquei profundamente envolvido pelos
meus próprios pensamentos: o estado em que o planeta Terra
se encontrava era meu principal foco de atenção,
conhecia toda a história daquela esfera azul que estava
vendo em um dos monitores. Busquei em minha memória
imortal as lembranças de um tempo longínquo
que o passado fizera adormecer.
Houve um tempo em que não existia sequer
uma gota de vida em toda a superfície. Nesta época
a Terra ainda não era azul, ela mostrava aos que
a vissem apenas uma paisagem sombria e tempestuosa, as crateras
e montanhas rochosas davam-lhe o aspecto de mundo em estado de
germinação. Ela permaneceu assim por um período
incomensurável, até que o Conselho do Governo do
Sistema Solar decidiu dar vida à superfície.
Foram enviados os cientistas da gênese
para que, ao longo de várias fases, fossem semeados os
seres dos vários reinos. Após um trabalho árduo,
foram desenvolvidos os seres humanos primitivos. Aí a
coisa ficou realmente difícil pois, para povoar
o mundo físico, havia bilhões de seres astrais
humanos que tinham sido expulsos de dezenas de planetas por causa
de seus altos níveis de maldade.
Frotas de naves-prisões trouxeram
à força tais seres para cá. Ao chegarem,
uma das primeiras coisas que sentiram foi a síndrome
de serem expulsos do paraíso, visto que os mundos
aos quais pertenciam eram consideravelmente mais evoluídos,
seja em tecnologia ou no grau de civilidade.
Como uma história sem fim, mais uma
vez estava sendo efetuado o exílio temporário de
certos seres para outros planetas.
A maioria dos habitantes do mundo físico
sequer imagina a existência da conspiração
interplanetária e que já há algum tempo
se iniciara a purificação da Terra. Eu ansiava
pelo tempo em que as barreiras dos mundos fossem transpostas
pela humanidade terrestre, para com isto se iniciar o intercâmbio
maciço com a Federação Galáctica.
Que essa data tão memorável não se encontrasse
distante do tempo em que eu estava vivendo.
No entanto, até que este dia chegue,
muitas batalhas entre a luz e as trevas já terão
acontecido.
CONTINUA...
-