UNIDADE PRATA PARTE -6- 
Copyright © Aldomon SVCA 1996.
Levantamo-nos do sofá  e  fomos para o jardim.  Iara se deleitou envolvida pela fragrância sedutora do perfume das flores, andamos por entre os pés de roseiras, contemplando a linda variedade de rosas cujas pétalas ainda estavam molhadas de orvalho.
 Afastei-me um pouco, e de certa distância assisti a um deslumbrante espetáculo de feminilidade: aquela bela mulher de  cabelos esvoaçantes banhava o seu corpo com pétalas cor-de-rosa.  Seu semblante parecia estar imerso em um êxtase delirante. As pétalas transformaram-se em sedoso vestido levemente transparente, ela parecia a própria deusa Vênus em pessoa. Seu corpo flutuou  com suavidade por sobre o roseiral, uma brisa alegre fez seu vestido  dançar sinuosamente.
 Os olhos dela buscaram os meus, que sem dificuldade foram encontrados. Como se fosse uma fada, ela flutuou em minha direção, seus pés delicados desceram ao solo, tocando  carinhosamente a relva orvalhada: fui agraciado com seu abraço, senti em todo meu corpo a irradiação do seu amor.
 
 Voltamos para a nave, o brilho do sol reluzia em suas laterais. Decolei com rapidez falando para minha companheira de viagem que a levaria para conhecer pessoalmente minha vida no  mundo físico. Estacionei a espaçonave próximo à minha moradia. Passamos através da parede do meu quarto,  mostrei-lhe meu corpo deitado na cama e falei um pouco apressado:
 - A nave funciona com controle automático, caso você não queira pilotar. Infelizmente tenho que voltar agora para meu corpo.
 -Até mais ver ! -Falei apressadamente.
 Abri  meus olhos e pensei: "- É... novamente no mundo físico!" Respirei fundo e levantei-me da  cama. Abrindo a janela, vi que estava um bonito dia de verão,  o clima estava  convidativo para  uma caminhada no parque.
 
    Andando  por entre pinheiros gigantes, pisava em um imenso tapete de folhas finas, que faziam com que o chão se tornasse macio. Após longa caminhada, sentei-me à sombra de algumas árvores, e comecei a meditar:  passava  por mim os caminhos do destino, mas eu bem sabia que só poderia escolher um de cada vez; embora possuísse algumas habilidades extra-sensoriais, isto não me facilitava a escolha do rumo que eu deveria  seguir para encontrar minha missão.
    As lembranças do contato que tivera com as pessoas de minhas palestras, bem como  as dos cursos, continuavam vivas em minha memória, e nestas reminiscências tentava decifrar algumas respostas que talvez  pudessem facilitar minha escolha.
    Sem que eu me desse conta, meus pensamentos foram conduzidos para Iara, senti sua presença perto  de mim e, como se  a estivesse vendo à minha frente, pronunciei carinhosamente o seu nome.
    Tinha certeza de que ela  estava ali. Concentrei minha visão para tentar abrir minha clarividência. Enfoquei um ponto fixo no espaço vazio, e eis que surgiu no centro  da  minha visão um ponto brilhante: ele  era azul  e vermelho fluorescente, as cores  mexiam-se  entre si e, de súbito,  produziram  uma pequena fresta dourada luminosa.
    Sabia que esta pequena abertura podia ampliar-se abrindo um portal  que possibilitaria enxergar outras dimensões, e assim eu poderia ver Iara. Por mais que concentrasse, não conseguia energia suficiente para abrir o portal.
    Após tentar por uns dez  minutos, tive que desistir, pois fiquei muito cansado  energeticamente. Suspirei  de lamento, por  ainda não  ter  o domínio total desta habilidade  tão  importante. Vez ou outra conseguia  abri-la, porém na maioria das tentativas acabava frustrado por  não  conseguir.
    Fiquei olhando para o chão um pouco triste  por não ver minha amada Iara. Depois de conformado, regressei à minha casa, na ansiedade  do  cair  da  noite.
 
    Através do sono viajei para o  mundo astral. Surgi em um  campo de batalha: de um lado o exército  positivo e do outro, o negativo. Corri em volta de lançadores  de  mísseis, tão grandes que mais  pareciam  foguetes espaciais. Ao longe, os estrondos das explosões. Uma intensa agitação da correria dos soldados, que mudavam permanentemente de posição.
    De repente uma bomba atinge minhas pernas. Com a explosão fui parar longe - felizmente minha armadura protegeu totalmente o meu corpo, com sua  blindagem.
    Levantei-me como que num reflexo, olhei para o céu e vi uma esquadrilha de  naves. Ativei meu comunicador na freqüência em que elas estavam operando, e então identifiquei-me:
    - Aqui é Alderan, da  Unidade  Prata. Vocês aí em cima, estão precisando de ajuda  ?
    - Afirmativo, toda ajuda será bem-vinda! Estamos sofrendo um  ataque maciço  das  forças  dos dragões; se eles  atravessarem esta barreira, colocarão em risco nossa base avançada do Quadrante  7. Nesta base estão  centenas  de  crianças  em processo  de viagem astral.
    - A  ajuda  será enviada imediatamente! - Afirmei  com  segurança.
    Comuniquei-me com o Cruzador:
    - Sion, alerta de  emergência no Quadrante 7 da quinta dimensão! Enviar equipe tática 1 para combate aéreo, sob seu comando!
    - Entendido, logo estaremos  no campo.  - Respondeu Sion.
    Entrei  em contato com Iara e pedi-lhe que viesse com  uma de suas equipes, a fim de recolher as crianças que estavam na base.  Esta seria uma boa oportunidade de  já iniciar  o treinamento de sua Unidade.
 
    Ativei no  implante cibernético uma armadura batalhóide, que  trazia  em  si imenso potencial de  demolição. Tal poderio bélico teria de ser empregado para fazer  o  máximo visando  garantir a segurança.
    Sobrevoei o campo de batalha e desci na  cobertura  de um  dos prédios  que compunham  o complexo da base. Percorri rapidamente as escadas, passando  por várias salas e  alertando  as  monitoras  das crianças:  todos os  prédios  teriam que  ser imediatamente desocupados, pois era iminente o ataque das legiões sombrias.
    Nos pátios dos  prédios, algumas  naves comandadas por  Iara  estavam  prestes  a  pousar.
    Os caças  do Cruzador sobrevoavam o céu, abatendo as aeronaves inimigas, e também atingiam alguns tanques que estavam tentando abrir caminho em direção à  base.
    No visor  do meu capacete surgiram imagens  aéreas do campo de batalha. Algo inesperado começou a  acontecer: de  dentro  do solo  começaram  a sair máquinas blindadas gigantescas. Pareciam centopéias de metal, pois tinham  em suas  costas  centenas  de  largos canhões. Elas eram tantas que nossas centenas de  naves  não estavam conseguido detê-las.
    Novamente entrei em contato com o Cruzador:
    - Poderon, teleporte-se com toda equipe de infantaria para cá imediatamente.
    Em uma fração de  minuto, mais de mil  soldados cercaram a base, e armados de canhoneiras laser entraram na batalha. Por algum tempo também  participei  do confronto bélico. Da minha armadura, que mostrava  proporções agigantadas, abriam-se  compartimentos em várias partes, e deles saíam mísseis. Quando, por fim, minha carga de energia estava quase se acabando, desativei a armadura batalhóide, e fiquei apenas  com  a  protetora.
    Teleportei-me para um pátio  da base. Lá chegando, encontrei apenas duas naves da Unidade Canéra, que acabavam de recolher as últimas crianças. Ao aproximar-me  de uma  delas, avistei  Iara  em uma das janelas.
    - Encontro-a depois, lá no Cruzador! - Falei com certa pressa.
    Ela concordou e, em seguida, partiu.
 
    Um caça pousou logo à minha frente. Velozmente entrei  em seu interior e decolei para  novamente entrar  em  combate. Restavam  apenas  poucas centopéias  de metal, que logo  foram destruídas.
    Os soldados da infantaria começaram a recolher  os integrantes dos exércitos inimigos. Os caças regressaram ao Cruzador e no  céu restavam apenas algumas  poucas  naves recolhedoras.
    Todos os prisioneiros foram  levados para uma  imensa nave-prisão, que se encontrava  fora da  atmosfera Terrestre.
 
    Já de volta a Triton,  recarreguei o meu implante eletrônico na câmara de energia. Após concluir a  energização, entrei em contato com Iara, convidado-a para sairmos juntos.
 
    Desta  vez, fui eu quem foi em  seu cruzador. Assim que cheguei, fui  calorosamente recebido por  ela e  conheci algumas de suas comandantes de equipe.
    Iara olhou para  mim com ar  de mistério.
    - Alderan, tenho algo para mostrar-lhe antes de sairmos. -Falou confidencialmente.
    - Estou à sua disposição!
    Acompanhei-a por alguns corredores quando, de repente, entramos  em  um  grande salão, que  tinha seu  interior  lotado de  câmaras  de animação suspensa. Em  uma destas câmaras  de  cristal avistei a replica de Iara.
    Pensei comigo mesmo : "- Ela também deve estar  fazendo uma viagem astral."
    - Sim, Alderan,  você está certo. Entretanto,  não é apenas  por um  período correspondente a uma noite terrestre, e  sim o tempo de três meses.
    "Então e neste  prazo  que ela vai embora." - Pensei  comigo mesmo.
    Decolamos com destino ao planeta azul. Desta vez a levaria a outro lugar especial.
    Descemos  nas areias de um deserto do oriente. Ali eu havia construído um pequeno castelo no estilo árabe, que geralmente utilizava para meditação.  Transpusemos um salão, cujo chão estava forrado com  uma  grande variedade de tapetes. Existiam  pedestais espalhados em várias partes,  trazendo em si vasos e esculturas que enfeitavam  o ambiente, juntamente com os quadros de vitrais.
    Convidei-a para  seguir-me até os fundos  da construção, onde eu havia feito um  oásis artificial.
    A noite era de Lua cheia. Sua luminosidade produzia uma claridade prateada  na areia. Sentamo-nos  em  um banco  de mármore. De onde  estávamos podiam ser vistos múltiplos brilhos  na água do laguinho que, por sua serenidade, se transformara em espelho.
 
    Olhei profundamente nos olhos de Iara, e com tranqüilidade comecei a falar:
    - Veja bem este deserto: apesar do clima árido, aqui vivem seres que por muitas vezes impõem sua vontade  de continuar existindo e renascem  como que de suas  próprias  cinzas. A humanidade Terrestre, de certa forma, vai  assemelhar-se à natureza  do deserto, pois um novo mundo está prestes a surgir,  fazendo com que o velho venha a extinguir-se.
    A curiosidade transpareceu no rosto de Iara:
    - Quando a Unidade Prata concluirá sua missão aqui na Terra?
    - Somente após a retirada  de todos os seres negativos que ainda existem no  Planeta.
    Naquele lugar paradisíaco conversamos por alguns minutos, até que nossas responsabilidades nos chamaram ao dever.  Ela partiu para seu cruzador, eu lá permaneci por um breve tempo, até que fui puxado para meu corpo do mundo físico.
    Levantei-me ao raiar do dia, que por sinal  seria longo.
    O carro corria pelo asfalto. Éramos  quatro em seu interior, e os assuntos de  maior interesse, durante  toda a  viagem, sempre diziam respeito a experiências transcendentais. Por fim, avistamos as  montanhas de uma linda chapada, que se localizava em uma reserva nacional.
    Nós nos instalaríamos em uma pequenina cidade cravada em um berço de montanhas. Eu já havia visitado aquela região algumas vezes, mas sempre me encantava com a magia e beleza dos vales.
    Como me  agradava toda aquela tranqüilidade. Ainda mais pelo fato de que sempre preferi viver em locais  de  retiro.
    De repente avistamos a entrada da  cidade. Busquei na minha memória os rostos  dos meus amigos e conhecidos que ali viviam e que,  ao visitá-los, tão bem me recebiam.
    O  Sol centralizava-se no firmamento, denunciando o meio-dia. Unanimemente preferimos ir  em  busca de um restaurante e almoçar antes de fazermos qualquer  outra  coisa.
    Enquanto  nossa mesa não era servida, começamos a  traçar o percurso que faríamos. Primeiramente visitaríamos a casa  de um amigo comum, que era  muito  querido por todos; depois iríamos a uma mina de  cristal, que ficava no alto de uma  pequena montanha; dai em  diante faríamos  o que  nos  parecesse  mais aprazível.
    O pedido  foi servido e, entre  uma garfada e outra, surgiu o assunto dos  vários tipos de alimentação. Uma  de  nossas companheiras  de  viagem fez uma pergunta  com expressivo grau  de interesse:
    - Aldomon,  já faz algum  tempo que  parei de alimentar-me com  qualquer  tipo  de  carne animal, pôis começou misteriosamente a acontecer uma coisa  muito estranha: toda vez que  eu comia carne, começava  a sentir um mal-estar insuportável, o que inevitavelmente me fez  abandonar tal hábito alimentar.  Poderia explicar o motivo  de tão  incômoda  sensação?
    Dei um  sorriso, pois  lembrei-me  naquele  instante da desintoxicação  a que fui submetido no passado. Com bom-humor, revivi na minha memória a Sena do baita  choque  que  levei  dos aparelhos:
    - A  carne animal traz em si cargas de  energia psico-emocionais que foram  programadas por instintos animalizados. Por isto, se o ser  humano ingerir a  energia emocional que vem junto com a carne, transferirá para si própria as características instintivas peculiares  do animal  ao qual ela pertencia. Há entre os seres humanos aqueles cujos corpos estão  passando por  uma  sutilização energética, e isto faz naturalmente com que as pessoas fiquem até doentes  com a energia da  carne. Pode ser  este o seu caso.
    Saímos do  restaurante e passamos na  casa do nosso caro amigo. Ele e sua  mulher  nos atenderam  com atenção e  hospitalidade. Notamos  que  eles  pareciam estar bastante atarefados, conversamos  por  breves  momentos e  então  despedimo-nos.
 
    A poucos  quilômetros da cidade, deixamos o  carro na auto-estrada e pegamos uma trilha cercada de vegetação rasteira, localizada onde parecia já ter sido algum dia um pasto.
    Andávamos  pelo estreito caminho. O céu azul  celeste  só estava sendo  maculado por algumas  poucas  nuvens  branquinhas  e rarefeitas. A altitude em que estávamos era  tamanha que as nuvens  pareciam  quase  tocar o  chão. O vento suave aumentava ainda  mais  a sensação de  liberdade, o Sol estava um  pouco forte, mas não o suficiente  para incomodar.
    A caminhada  seguia lenta e absorta, raramente se  ouvia alguém falar, todos pareciam estar envolvidos pelo  fascínio  da observação daquela paisagem  montanhosa. Éramos interrompidos vez ou outra por alguns mosquitos inconvenientes que pareciam não gostar  de  visitantes, pois se esforçavam para deixar suas marcas  em nós, talvez para que  não esquecêssemos o repelente da  próxima  vez .
    A vegetação à  nossa  frente foi tornando-se cada vez mais  bela, passamos pelo alto de  um platô cujo chão estava forrado por um tapete de capim fino repleto de  flores  delicadas: amarelas, brancas e lilases. Elas dançavam ao sabor do vento, que  soprava  sem  cessar.
    Subimos e  descemos morros e  cristais começaram a  ser vistos pelo caminho: eram pedrinhas de um encanto peculiar, com vários tipos de  lapidação, que  a  própria natureza encarregara-se de fazer.
    Por fim, chegamos à mina no alto da montanha. Sentei-me em um barranco e fiquei observando a colheita de cristal. Fechei os olhos e concentrei-me na  absorção da energia vital que o Sol havia imantado naquelas pedras.
    Após poucos minutos, fiquei plenamente carregado. Então, parei rapidamente  a absorção,  para não  ficar com sobrecarga.
    O clima  foi ficando  muito quente, e tivemos que voltar  à cidade para evitarmos uma possível insolação.  Antes do cair  da  noite, hospedamo-nos em  um hotel.
    O céu  encheu-se  de estrelas e não  tardou  muito para eu viajar ao  mundo  astral: uma  nave  do Cruzador já me aguardava a pouca  distância da  janela do quarto, subi a bordo e voei rumo a Triton. Lá, eu seria  submetido a mais uma cirurgia. Desta vez  mexeriam no  meu cérebro para implantar  um aparelho, o qual teria importante função em minhas viagens interdimensionais, pois tal mecanismo  iria aumentar vertiginosamente o tempo de  duração  de minhas saídas.
    Como de  costume, fiz a aproximação com uma das rampas de pouso e, em breves instantes, já  estava a bordo. Teleportei-me para a sala  de  implantes para que fosse  feita, o mais rápido possível, a colocação do aparelho.
    Deitei-me em  uma fria  mesa metálica, vi à minha  volta o rosto dos  técnicos que efetuariam o implante. Um  deles  segurou  um recipiente com  um  líquido esbranquiçado. Ao abri-lo, nele foi submergida uma pinça, e lá de dentro surgiu  uma  pedra que se assemelhava a um diamante semi-esférico,  com incontáveis facetas lapidadas  em  sua superfície, e que produziam reflexos diamantinos.
    Senti  como se o topo da minha  cabeça fosse aberto, porém sem qualquer dor. Por algum tempo  fiquei  vendo clarões coloridos, até que foi concluída a operação.
    Levantei-me da  mesa e subitamente comecei a  perceber que o meu grau de lucidez tinha sido aumentado conscideravelmente: senti que  não precisava mais  fazer esforço  de  concentração  para transferir a memória para o  corpo material.
    Teleportei-me para a ponte de controle, a fim de preparar a execução de uma missão que  necessitava o máximo de  urgência.
    - Sion, ativar Equipe Prata Líder. Os dados da missão estão no computador central. Estou indo para a rampa de decolagem das naves de combate.
    - Entendido, Alderan. Estaremos lá o mais breve possível.
    Fui comunicado, pelos rastreadores da Unidade, de que foi registrada a abertura de um portal dimensional no Quadrante 104 da quarta dimensão astral e de que alguns seres das sombras saíram do portal e  invadiram um setor de segurança. Tínhamos que agir  rápido para que os seres negativos não causassem  danos para as cidades daquela região.
 
 
    Na rampa de decolagem, eu escolhia equipamentos que seriam utilizados na  ação. Dezenas de andróides ajudavam-me a transportar para as naves os aparelhos que iam sendo escolhidos, entre os quais motos  magnéticas e armamentos de vários tipos. De repente a Equipe Líder surgiu diante de mim.
    - Sion, Miria, Solron e Drilha, vocês ficarão  nos dando apoio aéreo  com as naves de  combate . Todos os outros irão por terra nas  motos magnéticas.
    Decolamos velozmente  em direção à superfície terrestre. Ao  passarmos  entre  as nuvens, nossas naves fizeram uma transição dimensional e materializaram-se  na  quarta  dimensão  astral. Sobrevoamos os edifícios de uma grande  cidade.
    Os sensores vibracionais registraram a localização das  entidades negativas: no monitor visual foram surgindo pontinhos vermelhos, em número um pouco acima de uma centena. As naves passaram logo acima de alguns prédios que estavam  em volta de uma larga avenida. Subi em uma moto magnética.
    Foi aberta uma porta na parte  inferior da  nave, inclinei meu corpo um pouco para a frente, liguei o aparelho e saí pela abertura  da nave de combate.
    Pairei pela avenida que estava cheia de carros astrais. Logo fui cercado por meus companheiros de equipe. Uria estava do  meu lado direito. Ao vê-la, falei rapidamente:
    - Fique atenta, pois  precisarei de suas habilidades de magia.
    Ela inclinou levemente sua cabeça, coberta pelo  capacete, indicando que havia entendido. Do  meu lado esquerdo estavam Poderon  e  Calia.
    - Preparem-se todos para o combate: exército  inimigo à frente, acionar invisibilidade. - Orientei-os.
    Nós teríamos que teleportá-los para as naves-prisões, mas isto não seria coisa tão simples, pois antes teríamos que apanhá-los.
    Fizemos a aproximação e avistamos as tropas sombrias. Eles estavam em veículos blindados. Sem demora, sobrevoamo-los e com precisão abatemos, com mísseis, todos os tanques. Alguns soldados, ao verem que  estavam sendo atacados por seres invisíveis, começaram a  dar tiros  de canhoneiras a  esmo. Estas armas eram portáteis e  delas saíam chuvas  de setas  metálicas.
    Passava pelas proximidades uma  pequena  multidão de civis, que  pareciam  não  perceber o que se estava passando naquela avenida. As setas poderiam atingi-los  e causar sérios danos  a seus corpos astrais.
    Uria então usou magia para evitar o dano iminente. Mesmo estando em cima da  moto, ela elevou suas  mãos um pouco acima de sua cabeça e de seus dedos semi-abertos saiu uma onda de energia azulada que,  ao atingir a chuva de setas, transformou-as todas em bonitas  flores.
    As naves, em vôos rasantes, destruíram totalmente, com seus raios laser, os tanques que estavam  apenas  danificados.
 
    Os integrantes das tropas invasoras ficaram sob controle. Pouquíssimos permaneceram de pé, a maioria teve seus primeiros corpos desmaterializados. Isto fez com que suas  consciências fossem transferidas para seus segundos  corpos astrais, os quais foram enviados para uma dimensão bem mais sutil, onde já estavam sendo aguardados  por outra  equipe da Unidade. Os soldados restantes foram paralisados, as naves recolhedoras surgiram  no céu e banharam a  avenida  com seus raios de teleportação, levando a bordo os seres imobilizados. Eu e parte da Equipe Líder permanecemos por algum tempo no  local do  combate,  rastreamos minuciosamente as proximidades para nos certificarmos de  que  nem um invasor havia escapado.
    Nossas  motos alçaram vôo em direção às naves de  combate que estavam a uns trezentos  metros do solo. Entramos  pelos  mesmos compartimentos dos quais outrora saímos.
    Sentei-me em uma das poltronas do controle, comuniquei-me imediatamente com as outras  naves informando-as da nossa partida com destino à  grande nave-prisão,  que estava estacionada entre  a Terra  e a Lua. Fizemos um cerco em volta das naves recolhedoras para sua escolta pois, a qualquer momento, poderiam ser atacadas por naves de alguma força-tarefa negativa, com a intenção de  resgatar os  prisioneiros.
    Estávamos em alta velocidade. Não mais do que poucos instantes e nos encontramos diante da prisão voadora: ela era uma imensidão de metal esférico, que tinha à sua volta um fortíssimo escudo de defesa. Dali ainda não se teve notícia de que alguém já tenha conseguido fugir.
    Fizemos contato, alertado sobre nossa entrada. O escudo jamais era desligado, todas as  naves que saíam ou entravam tinham um dispositivo próprio que as sintonizavam com o campo  protetor  do escudo.
    Assim que  minha  nave  entrou no  hangar  de pouso, tive repentinas lembranças dos incalculáveis seres que já foram  aprisionadas pela Unidade Prata e das inúmeras ameaças que  foram dirigidas especialmente a mim, vindas de entidades de grande poder negativo. Com bom humor pensava comigo mesmo: "-É, estando eu com um corpo físico da Terra, desejo nunca ter  um encontro surpresa com algum destes seres em um beco escuro, a não ser que  eu esteja devidamente equipado com armadura e armas potentes pois, se assim não for, era uma vez um  guerreiro dos mundos."
 
    As naves tocaram o chão da rampa  de pouso. Abri a porta  e desci flutuando até tocar o piso de metal. Afastei-me um pouco das naves e fiquei observando o transporte dos seres paralisados: eles foram magneticamente ligados uns aos outros, estavam flutuando a um metro e meio do chão e eram conduzidos por  alguns andróides. Por fim, foram todos levados para  as câmaras  de triagem mental, onde seriam identificadas suas freqüências vibracionais.
    Com isto se determinaria se alguns voltariam para o planeta ou se ficariam  na prisão  para posteriormente serem levados para planetas que oferecessem um nível de evolução similar a suas vibrações. Apesar de  não  ter feito  uma  análise detalhada  da evolução dos prisioneiros recém-chegados, a minha experiência já me dava a certeza de que todos seriam levados para fora do planeta Terra, até que evoluíssem suficientemente para poderem regressar a este planeta, ou até mesmo terem  acesso a outros bem mais evoluídos.
    Teleportei-me  para o centro do comando, onde me encontrei com o comandante  da prisão espacial.  Após  as saudações, pusemo-nos a conversar:
    - Clabaque, fiquei sabendo que a cota de prisioneiros está quase completa. Sei que isto significa que partirão em pouco tempo para  outros planetas, para descarregarem e novamente regressarem para cá.  Se desejar, uma das equipes da Unidade  Prata poderá escoltá-los  durante toda a operação.
    Por sua expressão pude perceber  que aceitara minha proposta.
    De volta à rampa de decolagem, subi a bordo da nave. Então, a esquadrilha partiu de  volta ao Cruzador.
 
    Fiquei profundamente  envolvido pelos meus próprios pensamentos: o estado em que o planeta Terra  se encontrava era meu principal foco de atenção, conhecia toda a história daquela esfera azul que estava  vendo em  um dos monitores. Busquei  em minha memória imortal as lembranças de um tempo  longínquo que o passado fizera adormecer.
    Houve um tempo em que não existia sequer uma gota de vida em toda a superfície.  Nesta época a Terra  ainda não era azul, ela mostrava aos que a vissem apenas uma paisagem sombria e tempestuosa, as crateras e montanhas rochosas davam-lhe o aspecto de mundo em estado de germinação. Ela permaneceu assim por um período incomensurável, até que o Conselho do Governo do Sistema Solar decidiu dar vida à superfície.
    Foram enviados os cientistas da gênese para que, ao longo de várias fases, fossem semeados os seres dos vários reinos. Após um trabalho árduo, foram desenvolvidos os seres humanos primitivos. Aí a coisa ficou realmente difícil pois, para povoar  o mundo físico, havia bilhões de seres astrais humanos que tinham sido expulsos de dezenas de planetas por causa de seus altos  níveis de maldade.
    Frotas de  naves-prisões trouxeram à força tais seres para cá. Ao chegarem, uma das primeiras coisas  que sentiram foi a síndrome de serem  expulsos do paraíso, visto que os mundos aos quais pertenciam eram consideravelmente mais evoluídos, seja em tecnologia ou no grau de civilidade.
    Como uma história sem fim, mais uma vez estava sendo efetuado o exílio temporário de certos seres  para outros planetas.
    A maioria dos habitantes do mundo físico sequer imagina a existência da conspiração interplanetária e que já há algum tempo se iniciara a purificação da Terra. Eu ansiava pelo tempo em que as  barreiras dos mundos fossem transpostas pela humanidade terrestre, para com isto se iniciar o intercâmbio maciço com a Federação Galáctica. Que essa data tão memorável não se encontrasse distante  do  tempo em  que eu estava vivendo.
    No entanto, até que este dia chegue, muitas batalhas entre a luz e as trevas já terão acontecido.
CONTINUA... 

 PARTE -7- 

 MENU PRINCIPAL 

 TOPO DA PAGINA